A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) lançou na quinta-feira (25) o ABCSData Insights – Dados Unificados da Suinocultura, plataforma que reúne indicadores econômicos, produtivos e sociais da cadeia suinícola brasileira em um único ambiente digital.
A iniciativa centraliza informações que atualmente estão distribuídas entre diferentes bases públicas, como Ministério da Agricultura, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Receita Federal e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A proposta é facilitar o acesso a dados utilizados por produtores, cooperativas, agroindústrias, pesquisadores, investidores e analistas de mercado.
Segundo a ABCS, a plataforma disponibiliza indicadores relacionados à produção, exportações, custos, preços, emprego, estrutura produtiva e desempenho regional da suinocultura brasileira, permitindo consultas integradas em um único sistema.
“A verdadeira sustentabilidade no agronegócio moderno vai muito além do manejo ambiental no campo; ela exige transparência e responsabilidade corporativa. Ao disponibilizarmos dados auditáveis e organizados para toda a cadeia produtiva, fortalecemos a governança do setor”, afirma o presidente da entidade.
Inteligência em um único ambiente
Entre os indicadores disponíveis está o desempenho dos principais polos produtores do País. Santa Catarina permanece na liderança nacional da atividade. Em 2025, o Estado respondeu por aproximadamente 30% da produção brasileira, com o abate de 17,12 milhões de suínos, equivalentes a 28,22% do total nacional, e produção de 1,60 milhão de toneladas de carcaças.
Ao reunir essas informações em uma única plataforma, a entidade busca reduzir o tempo gasto na consulta de diferentes bases públicas e ampliar o acesso a dados utilizados na tomada de decisão por produtores, agroindústrias, investidores e instituições financeiras.
Raio-X dos custos
A plataforma também reúne informações sobre custos de produção. Em Santa Catarina, o custo médio foi de R$ 6,34 por quilo de suíno vivo em 2025, acima dos R$ 6,31 registrados no Rio Grande do Sul e dos R$ 6,00 no Paraná.
Mesmo com a maior estrutura de custos entre os três estados da Região Sul, o preço médio de comercialização, de R$ 8,20 por quilo, resultou em lucro estimado de R$ 1,86 por quilo produzido.
Os dados detalham ainda a composição dos custos da atividade. A alimentação representa a principal despesa da produção, com R$ 4,57 por quilo vivo, seguida pelos custos de capital (R$ 0,45), transporte (R$ 0,26), depreciação das instalações (R$ 0,22), mão de obra (R$ 0,20), sanidade (R$ 0,17) e genética (R$ 0,16).
Segundo a ABCS, o detalhamento desses indicadores permite comparar diferentes regiões produtoras e acompanhar a evolução econômica da atividade.
Estrutura da cadeia
Além dos indicadores econômicos, o sistema apresenta informações sobre a organização da produção brasileira. Atualmente, o País possui 626.488 matrizes tecnificadas. Desse total, 56,34% estão integradas às agroindústrias, 34,96% pertencem a cooperativas e 8,70% são de produtores independentes.
A plataforma também incorpora dados sobre emprego. Em Santa Catarina, a atividade reúne 42.846 trabalhadores formais, o equivalente a 25,75% da mão de obra nacional do setor, com rendimento médio de R$ 3.067,56 mensais.
Transparência e mercado
Para a entidade, a consolidação dessas informações busca ampliar a transparência da cadeia produtiva e oferecer uma base mais consistente para o planejamento de produtores, empresas, instituições financeiras e investidores.
A expectativa é que a ferramenta contribua para reduzir a assimetria de informações entre os diferentes agentes da cadeia, facilitando o acompanhamento dos indicadores da suinocultura e fortalecendo a governança do setor em um ambiente de negócios cada vez mais orientado por dados.