19/04/2026

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A Fazenda de Santander Que Colocou Seu Café entre os Melhores do Mundo

Oswaldo Acevedo está por trás do “Café Mesa de los Santos”, que por anos se manteve como o mais caro da Colômbia. Desde Santander exporta seu famoso café cultivado sob sombra para países como Estados Unidos e Japão e trabalha para manter sua fazenda entre as mais reconhecidas da região.

Se você viajar entre Bucaramanga e o município de Los Santos, em Santander, na Colômbia, perto do quilômetro seis, um painel de grande formato branco vai chamar sua atenção. “Uma fazenda de café colombiana entre as cinco melhores do mundo”, está escrito nele. Trata-se da fazenda El Roble, que recebe seus visitantes lembrando um reconhecimento que recebeu em 2020 e que decidiu eternizar nesse painel citando uma publicação que, na época, foi feita pela Forbes Colômbia.

Naquele ano, El Roble, do produtor Oswaldo Acevedo, foi escolhida entre milhões de fazendas do mundo pela qualidade do café especial cultivado ali. A marca já havia se tornado popular nesse setor por participar do leilão mundial Grounds for Health. Em 2018 e 2019, seu café chegou inclusive a bater recordes com a variedade HR-61, que alcançou 150 dólares por libra (R$ 750 na cotação atual).

Visitar o local é como viajar no tempo. Acevedo percorre os 320 hectares plantados com café, com mais de um milhão de plantas que compõem El Roble, dirigindo um veículo conversível modelo 1975. No coração do lugar, uma antiga casa branca que preserva muitos de seus elementos originais completa o cenário.

Quem chega a esse ponto do departamento pode visitar a casa principal, onde são oferecidas degustações de café e outras experiências privadas. À beira da estrada principal, logo abaixo do painel, também foi aberta há anos uma cafeteria e, para os mais entusiastas, são oferecidos passeios guiados conhecendo os detalhes do cultivo do grão, que ocorre sob sombra a 1.650 metros de altitude.

OA_DivulgTerreiro de secar café da Mesa de Los Santos

Em nível nacional, a marca abriu quatro lojas especializadas em Bogotá e Bucaramanga e, por meio da Amazon e de seu site, amplia a oferta para outras regiões do país e do mundo. Estados Unidos e Japão são seus principais clientes estrangeiros. Para 2027, esperam apostar na abertura de mais lojas “mas somos agricultores, não somos loja, por isso esse crescimento será lento”.

Mas, embora agora a empresa tenha projeção internacional, trata-se de um negócio tradicional no departamento. Em 1872, Telmo Díaz, bisavô de Acevedo, foi quem iniciou a atividade. Na época, estava instalada em Zapatoca.

Acevedo, que era pesquisador de campo e trabalhou por anos liderando a área de marketing da Unilever, assumiu as lojas da fazenda em 1998. Elas foram transferidas por seu tio Julio Martín Acevedo, que esteve à frente do negócio por 50 anos. Naquele momento, ele já tinha claro que o mercado de cafés especiais era seu nicho e apostou nisso.

O auge desse propósito ocorreu nos anos 2000, quando nove compradores internacionais chegaram até sua fazenda para um leilão privado de cafés especiais. Dois deles, um australiano e uma norte-americana, começaram a disputar por uma libra de café HR61. Ao final, ela foi vendida por 131 dólares (R$ 655 na cotação atual) e o vencedor foi o australiano.

Por vários anos, a libra de Café Mesa de Los Santos se manteve como a mais cara da Colômbia. Para comercializar melhor o produto, mudaram o nome e o batizaram como Umpalá, que na língua Guane significa: lugar onde só chegam os deuses. A que sabe o café? Acevedo o descreve como suave e doce.

“O sabor que nos faz ganhar reconhecimentos vem da combinação de amplitude térmica com estresse hídrico, combinado com cultivo orgânico lento sob sombra intensa”, explica.

Uma vida dedicada a um sonho

Em meados de fevereiro, a Federação Nacional de Cafeicultores reconheceu Oswaldo por sua liderança, visão e compromisso com o café do país. Germán Bahamón, presidente da Federação, foi o responsável por entregar a distinção em Bogotá. “Dediquei os últimos 35 anos da minha vida ao café”, disse à Forbes Colômbia.

“Seu trabalho foi determinante para o desenvolvimento e posicionamento internacional do café santandereano, deixando um legado que honra sua região e fortalece o prestígio do café na Colômbia”, afirmou o presidente da FNC durante a condecoração.

Desde Santander, Acevedo tem sido um dos impulsionadores da industrialização do grão. Segundo explica, a meta é incentivar o plantio de café para alcançar melhores preços, com qualidade destacada no mercado. Para isso, acrescenta, é fundamental aproveitar as terras da região e ampliar o cultivo de café em mais municípios. Esse será um tema central diante do novo governo, afirma, “porque a Colômbia deve recuperar sua posição na indústria mundial do café”.

Ao mesmo tempo, o desafio das marcas é continuar inovando. O empresário explica que, nos últimos anos, o mercado mudou e a indústria gastronômica mundial está demandando mais variedades. Ainda assim, ele optou por voltar ao básico. “Produzir o melhor café, com a melhor qualidade”. Ele, por exemplo, não consome apenas o próprio café. Dedica tempo a provar os dos concorrentes para entender como o mercado está evoluindo.

OA_DivulgFazenda está preparada para receber visitas

Em 2026, as estimativas da FNC sobre a produção de café são moderadas, devido ao período de chuvas intensas no país. Estima-se que, no primeiro semestre, sejam alcançados cerca de 6,2 milhões de sacas, número inferior ao registrado nos dois anos anteriores.

Mas Acevedo mantém uma visão positiva e diz que espera que sua fazenda retorne a vendas históricas de 5.000 sacas por ano. Quando isso acontece, a operação de El Roble chega a empregar até 500 pessoas nos meses de colheita. Também vê com otimismo o consumo interno. O país já atingiu até 2,8 kg per capita ao ano, com uma média de 330 xícaras anuais por pessoa. A tendência é tão favorável que agora a maior parte de suas vendas permanece na Colômbia, “agora o que não sabemos é como dar conta de tanta demanda”.

Reportagem publicada originalmente na Forbes Colômbia

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