Durante anos, acompanhei as recomendações nutricionais mundiais que pareciam ditar uma regra inquestionável: reduzir o consumo de carne, especialmente a vermelha, e basear a alimentação quase que exclusivamente em grãos e vegetais.
Fui vegetariana durante alguns anos e sei a falta que a proteína me fez ao longo do tempo, mas, como não sou médica, não descartava as informações que recebia.
A reviravolta das novas diretrizes
No entanto, ao final de 2025, tudo mudou. Ao analisar as recém-lançadas Diretrizes Alimentares para Americanos (Dietary Guidelines for Americans) para o período de 2025 a 2030, confesso que fui surpreendida positivamente; afinal, não estava errada.
A nova abordagem do governo dos Estados Unidos promoveu uma verdadeira reviravolta na forma como enxergamos a nutrição, colocando a carne e as proteínas de alta qualidade de volta ao centro do palco, como elementos essenciais para o nosso consumo diário.
O que mais me chamou a atenção, logo de cara, foi a mudança visual e conceitual das diretrizes. A antiga representação do prato ou da pirâmide tradicional deu lugar a uma pirâmide invertida, onde as proteínas, os laticínios e as gorduras saudáveis assumem uma posição de enorme destaque.
O fim do déficit proteico
O lema agora é simples e direto: “coma comida de verdade”. Para mim, isso apenas confirmou o que eu já sabia. As novas recomendações sugerem que adultos consumam entre 1,2 e 1,6 grama de proteína por quilograma de peso corporal diariamente.
Isso representa um aumento de 50% a 100% em relação ao que era orientado anteriormente. Fica claro que a ciência nutricional atualizada reconhece a necessidade fundamental de blocos construtores robustos para a manutenção da nossa saúde, força muscular e vitalidade.
Nesse novo cenário, a carne deixou de ser a vilã da dieta para se tornar uma protagonista indispensável. As diretrizes são explícitas ao priorizar alimentos densos em nutrientes e proteínas de alta qualidade em todas as refeições.
Isso inclui uma variedade generosa de fontes animais como ovos, aves, frutos do mar e, surpreendentemente para muitos, a carne vermelha.
Qualidade e densidade nutricional
Ao ler o documento oficial, percebi que o foco não é apenas comer mais proteína, mas garantir que ela venha de fontes íntegras e naturais. A carne é valorizada não apenas pelo seu teor proteico, mas pela sua matriz nutricional complexa, que oferece vitaminas e minerais essenciais de forma altamente biodisponível.
Essa mudança de paradigma vem acompanhada de um alerta severo contra os verdadeiros inimigos da saúde pública moderna: os alimentos ultraprocessados e os carboidratos refinados.
Pela primeira vez, as diretrizes americanas adotam uma postura firme contra produtos empacotados, ricos em açúcares adicionados e aditivos químicos.
O retorno à comida de verdade
Ao invés de demonizar a gordura natural dos alimentos ou a proteína animal, o foco da restrição voltou-se para aquilo que a indústria modificou drasticamente.
Para mim, faz todo o sentido trocar um lanche altamente processado por um pedaço de carne de qualidade. É o retorno à alimentação que nossos avós reconheceriam.
Ao final dessa reflexão, sinto que as novas diretrizes de 2025-2030 trouxeram uma dose necessária de bom senso à nossa mesa.
Elas comprovaram que desfrutar de um bom bife, de um frango assado ou de um peixe fresco não é um “deslize” na dieta ou um comprometimento à saúde, mas sim uma escolha alinhada com as melhores e mais recentes evidências científicas focadas na prevenção e na saúde real.
A mensagem que levo é clara: continuar priorizando a comida de verdade, abraçar a carne como uma aliada essencial da minha nutrição diária e deixar os ultraprocessados nas prateleiras dos supermercados.
*Amália Sechis é bacharel em direito pela Fundação Armando Álvares Penteado, empresária e criadora da marca BeefPassion, produtora de carne bovina brasileira que em 2015 a recebeu o certificado internacional da Rainforest Alliance, tornando-se a primeira empresa produtora de carne brasileira a alcançar a certificação de agricultura sustentável.
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