O mercado de insumos biológicos na América Latina está passando por uma fase de maturidade, após anos de crescimento acelerado. Apesar da continuidade desse crescimento, a simples presença nesse setor não garante mais a lucratividade que as empresas esperam.
Desafios no setor de biológicos
O panorama atual, apresentado pela DunhamTrimmer, revela que, embora a América Latina seja uma região estratégica para os produtos biológicos, o cenário de competição se intensificou, especialmente no Brasil. O evento Biocontrol Latam 2026, que ocorrerá em Campinas, São Paulo, nos dias 27 e 28 de julho, será uma oportunidade para discutir essas mudanças significativas.
A consultoria destaca que o Brasil é o líder no mercado latino-americano de biocontrole, impulsionado pela rápida adoção de produtos em grandes culturas. Contudo, o aumento no número de empresas e produtos trouxe uma queda nos preços e desacelerou o crescimento em valor, mesmo com a área tratada em expansão.
Aumento dos registros de biopesticidas
Atualmente, o Brasil possui 859 registros ativos de biopesticidas, dos quais 826 são produtos microbianos. Desde 2022, mais da metade desses registros foi concedida, com 175 novos registros apenas em 2025. Essa situação gerou uma competição acirrada, especialmente nos nichos de bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas.
A DunhamTrimmer enfatiza que a lucratividade e a diferenciação tornaram-se essenciais para as empresas que atuam nesse mercado. As notícias recentes já não se concentram apenas na demanda crescente, mas também nos desafios impostos pela competição e na necessidade urgente de modelos de negócios sustentáveis.
Mercados emergentes na América Latina
Outras nações latino-americanas, como o Peru e a Colômbia, estão ganhando destaque no setor. O Peru, por exemplo, é apontado como o mercado de biocontrole que mais cresce na região, com a expansão das culturas de exportação e a necessidade de reduzir resíduos de pesticidas em frutas frescas. Já a Colômbia apresenta um crescimento robusto, especialmente em culturas tropicais, com projeções superiores a 8% ao ano.
Nos bioestimulantes, a América Latina mantém a liderança em crescimento global, com uma taxa anual próxima de 12%. O Brasil representa mais da metade desse mercado, enquanto países como Peru, Colômbia e Equador avançam rapidamente.
Oportunidades em um mercado competitivo
Apesar da crescente competição, as oportunidades no setor permanecem robustas. A principal questão agora é quem será capaz de capturar esse crescimento. A inovação tecnológica isolada não é mais suficiente; as empresas precisam oferecer um desempenho consistente e integrar soluções biológicas aos sistemas produtivos existentes.
Além disso, os agricultores estão lidando com um conjunto complexo de tecnologias, onde a compatibilidade entre produtos, facilidade de uso e suporte técnico são cruciais para a adoção. A eficácia biológica continua sendo um fator fundamental, mas não é mais a única condição para o sucesso.
Impactos externos e adaptação do setor
Fatores externos, como tensões comerciais, custos altos de fertilizantes e possíveis impactos climáticos, devem continuar influenciando a rentabilidade do setor. Assim, as empresas precisarão se adaptar às condições específicas da agricultura latino-americana, estabelecer parcerias locais e integrar soluções biológicas aos métodos tradicionais de manejo.
O Biocontrol Latam 2026 será um espaço para discutir esses desafios e as novas realidades do setor. O painel moderado por Ignacio Moyano da DunhamTrimmer abordará temas como diferenciação, inovação e resiliência em um mercado cada vez mais competitivo.
A mudança de paradigma no setor exigirá que as empresas identifiquem seus principais desafios, entendam o que as diferencia no mercado e desenvolvam modelos de negócios mais resilientes. O futuro do mercado de biológicos dependerá da capacidade de adaptação e inovação das empresas que atuam nesse segmento.







