21/08/2026

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Cofco Abre Rota de Sorgo Brasileiro em Grande Escala para a China

A Cofco International realizou nesta quinta-feira (20), seu primeiro embarque de sorgo brasileiro em grande escala para a China, colocando o cereal nacional em uma corrente comercial na qual o país asiático compra entre 5,5 milhões e 10 milhões de toneladas por ano. A carga saiu do Terminal Export Cofco, o TEC, no Porto de Santos, com destino a Nansha, em Guangzhou, onde será distribuída pela Cofco Trading, segundo comunicado da companhia.

A abertura do mercado chinês cria novas possibilidades para o sorgo brasileiro, ampliando as alternativas de comercialização para os produtores e conectando a produção nacional a um importante mercado consumidor”, afirmou Luiz Noto, CEO da divisão de Grãos e Oleaginosas da Cofco no Brasil, em declaração à Reuters. Para a companhia, o novo fluxo acrescenta uma commodity à estrutura que conecta a produção agrícola nacional aos compradores chineses, mercado no qual o Brasil já ocupa posição relevante nas vendas de soja e carne bovina.

O tamanho dessa oportunidade está relacionado à forma como a China administra seu abastecimento de grãos. Dados reunidos no relatório Grain and Feed Update, do Foreign Agricultural Service, braço do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, situam as importações chinesas de sorgo em uma faixa de 5,5 milhões a 10 milhões de toneladas por ano. O cereal ocupa uma posição distinta da de outros ingredientes destinados à alimentação animal porque não está sujeito ao sistema de quotas tarifárias, conhecido pela sigla TRQ, aplicado pelo governo chinês a produtos como o milho.

Na prática, esse desenho regulatório permite aos fabricantes de ração recorrer ao produto importado quando sua relação de preços com o milho torna a substituição economicamente viável. O sorgo possui valor energético próximo ao do milho e pode integrar as formulações destinadas principalmente a suínos e aves. Em um país com uma cadeia de proteína animal de grande escala, a possibilidade de trocar ingredientes sem depender das mesmas limitações tarifárias transforma o cereal em instrumento de ajuste de custos para as empresas de nutrição animal.

A demanda chinesa possui ainda uma característica que separa o sorgo importado daquele produzido dentro do país. A safra doméstica permanece entre 3 milhões e 3,5 milhões de toneladas por ano, segundo informações da Production, Supply and Distribution, do USDA, e da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC). Parte relevante desse volume abastece a produção de baijiu, destilado tradicional no país e fabricado com variedades específicas do cereal, enquanto as compras externas atendem principalmente à indústria de alimentação animal.

O baijiu adiciona ao mercado uma disputa por matéria-prima diferente daquela observada na produção de ração. Variedades utilizadas pelas destilarias apresentam características próprias, entre elas maior presença de taninos, associadas ao processo de fermentação e ao perfil do destilado. Empresas como a Kweichow Moutai operam nesse segmento, que utiliza sorgo como insumo central. Esse consumo da produção local ajuda a explicar por que a China, mesmo cultivando o cereal, mantém necessidade estrutural de compras no exterior para outros usos.

Segundo a Reuters, a China habilitou fornecedores brasileiros como alternativa aos Estados Unidos, cujas vendas de sorgo aos compradores chineses caíram durante a guerra comercial de 2025. A mudança amplia as origens disponíveis para um cereal que pode substituir parte do milho importado na formulação de rações, apontando a entrada do Brasil nesse mercado como um fator de mudança na composição dos fornecedores chineses.

“Para a COFCO International, este embarque reforça nossa atuação na comercialização de diferentes commodities agrícolas e a capacidade da companhia de conectar a produção brasileira a mercados estratégicos”, afirmou Noto à Reuters. A empresa informou ainda que outros carregamentos para a China estão previstos na programação de navios, informação também divulgada pela agência. A estatal mantém no país uma ampla estrutura de originação, armazenagem, processamento, logística e exportação.

Há ainda outras empresas brasileiras controladas por capital chinês, como a Fiagril, adquirida em 2016 pela Pengdu Agriculture, e a Belagrícola, que desde 2017 tem 53,99% de seu capital nas mãos da mesma companhia chinesa. As duas atuam diretamente junto aos produtores e na comercialização de grãos e insumos, e isso pode alargar ainda mais um caminho direto para o grão.

Para o produtor brasileiro, o acesso ao comprador chinês acrescenta um destino externo a uma cultura adaptada a sistemas produtivos marcados por menor disponibilidade de água. O sorgo possui tolerância ao déficit hídrico e pode ocupar áreas e janelas agrícolas nas quais outras culturas encontram maiores limitações. A relevância comercial do novo mercado dependerá da continuidade dos embarques, dos preços oferecidos e da capacidade da cadeia nacional de reunir volumes compatíveis com a demanda chinesa.

O movimento também altera a dimensão da experiência iniciada no começo do ano. O Brasil realizou em janeiro deste ano sua primeira exportação de sorgo para a China desde 2014, em um volume compatível com um contêiner e tratado como operação de teste. O embarque feito agora pelo TEC transfere o cereal para a logística de grandes cargas a granel e coloca o mercado chinês entre os destinos que podem disputar a produção brasileira nas próximas safras.

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