Depois de trabalhar por 28 anos no setor elétrico, Rogério Cano decidiu voltar à propriedade rural onde nasceu e iniciar uma nova trajetória profissional. Há pouco mais de 80 dias na avicultura, o produtor está conduzindo seu segundo lote de frangos e se surpreendeu com o nível de tecnologia necessário para operar aviários modernos.
Painéis automatizados, sensores, controle remoto da ambiência, aquecimento a gás, energia fotovoltaica e gerador estão entre os recursos utilizados nos três aviários da propriedade. Parte dos sistemas pode ser acompanhada e controlada diretamente pelo celular.
“Esses novos aviários têm uma tecnologia enorme dentro deles. Tudo, do painel até ambiência, é muito complexo. A gente tem que se adequar e aprender de uma forma muito rápida”, conta Cano.
A velocidade da evolução tecnológica também chamou a atenção do produtor. Segundo ele, equipamentos considerados modernos atualmente podem receber novas soluções e funcionalidades em poucos anos.
Apesar do desafio de adaptação, o acesso remoto aos sistemas tornou-se um aliado da rotina. “Hoje a gente consegue acessar e ver como está a ambiência do galpão, a temperatura, tudo pelo celular. É muito prático e rápido, mas é um desafio grande”, afirma.
Segundo o produtor, aproximadamente 80% dos sistemas dos aviários podem ser monitorados ou controlados remotamente. Entre as funções estão ventilação, aquecimento, ventilação mínima e máxima, ventilação em túnel e controle da pressão interna dos galpões.
Esses recursos permitem realizar ajustes conforme as necessidades das aves e as condições ambientais encontradas dentro da instalação. Contudo, a tecnologia não elimina a necessidade de conhecer o comportamento dos animais. Ainda no segundo lote, Cano conta que começa a identificar visualmente sinais de conforto ou desconforto das aves.
Ao entrar no galpão, o produtor observa a distribuição e o comportamento dos frangos para avaliar se é necessário aumentar ou reduzir a ventilação e verificar possíveis sinais de frio ou calor.
“Hoje a gente já está conseguindo ter essa visão, entrar dentro do aviário e ver o que a ave está sentindo, se precisa colocar um pouco mais de ventilação, tirar, se está passando frio ou calor”, relata.
Aquecimento a gás ganha espaço na propriedade
Entre as tecnologias incorporadas ao projeto, Cano aponta o aquecimento a gás como uma das que mais têm feito diferença no início dos lotes.
O sistema é automatizado para trabalhar de acordo com a temperatura programada. Ao atingir o valor determinado, o equipamento interrompe o aquecimento. Quando a temperatura cai, volta a funcionar.
Para Cano, a tecnologia proporciona maior precisão especialmente durante o pré-aquecimento do aviário, etapa realizada antes da chegada dos pintinhos.
“Tem um preparo antes, que a gente chama de pré-aquecimento. Isso é muito importante para as aves. Tenho certeza de que o aquecimento a gás nesse ponto beneficia mais, é mais eficiente e contribui para o desenvolvimento da ave no início”, afirma.
O produtor também destaca a redução da necessidade de mão de obra e do uso de motores em comparação com outros sistemas.
Segundo ele, quando todos os custos são colocados na planilha, a diferença entre o aquecimento a gás e a lenha tende a diminuir. O gás pode apresentar custo um pouco maior, mas fatores como automação e menor demanda de trabalho também entram na avaliação.
Energia solar e gerador sustentam operação
O consumo de eletricidade necessário para manter os sistemas dos aviários levou a propriedade a investir também em energia fotovoltaica. O sistema instalado ainda não é suficiente para atender integralmente à demanda e deverá receber novas placas solares.
Além disso, a granja conta com um gerador de 150 kVA, dimensionado para atender aos três aviários, à casa-sede e ao poço artesiano em situações de interrupção no fornecimento de energia.
É justamente nesse ponto que a experiência profissional anterior de Cano se conecta à nova atividade. Embora tenha trabalhado principalmente com alta tensão no setor elétrico, o conhecimento adquirido ao longo de quase três décadas ajuda na compreensão dos painéis, motores, chaves e demais equipamentos elétricos utilizados nos aviários.
A experiência também facilita a identificação de problemas quando algum equipamento deixa de funcionar.
Além de automatizar equipamentos, a tecnologia gera informações que ajudam no acompanhamento de cada lote. Na propriedade, parte dos dados ainda é registrada manualmente em planilhas e posteriormente inserida na ficha do lote. As informações são encaminhadas semanalmente ao técnico responsável pelo acompanhamento da granja.
O aplicativo conectado ao painel também permite armazenar relatórios sobre consumo de água, consumo de ração e mortalidade das aves, entre outros indicadores.
Esse conjunto de informações permite acompanhar a evolução do lote e fornece subsídios para as decisões tomadas ao longo do ciclo produtivo.
Inspeção presencial
Mesmo com boa parte da estrutura automatizada, Cano considera a inspeção presencial indispensável. Para ele, os dados dos equipamentos precisam ser combinados à observação diária do comportamento dos animais.
“É muita informação. Sem dúvida, a tecnologia é muito importante hoje nos aviários, mas a inspeção visual, no dia a dia dentro da granja, para você ver a necessidade, é muito importante”, afirma.
A experiência dos primeiros meses mostrou ao produtor que automação e presença humana exercem funções complementares: enquanto sensores e sistemas fornecem dados e executam comandos, cabe ao responsável pelo lote interpretar o que acontece dentro do aviário.
Mesmo sendo uma estrutura recente, novos investimentos já estão previstos para a propriedade. Um deles é a instalação de câmeras dentro dos aviários, ampliando as possibilidades de acompanhamento da criação.
A propriedade também pretende adquirir um desidratador para destinação das aves mortas, como alternativa ao sistema tradicional de compostagem utilizado na atividade.
Para Cano, que deixou uma carreira de quase três décadas no setor elétrico para ingressar na produção de frangos, os primeiros meses mostraram que a avicultura moderna está diretamente ligada à capacidade de acompanhar a evolução tecnológica.
Ao mesmo tempo, a experiência também reforçou uma percepção construída na prática durante os dois primeiros lotes: por mais automatizado que seja o aviário, a tecnologia funciona como ferramenta de apoio — e não como substituta da presença e da observação do produtor.
O post Produtor aplica experiência de 28 anos no setor elétrico para expandir segundo lote de frangos apareceu primeiro em Interligados.