20/08/2026

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Fedecafé Monta Campanha Global de Ajuda a 8 Mil Cafeicultores Afetados por Terremoto

A Federação Nacional dos Cafeicultores (FNC) lançou nesta quarta-feira (19) uma campanha global para arrecadar recursos destinados às famílias cafeicultoras afetadas pelo terremoto de 10 de agosto, enquanto um primeiro levantamento da entidade aponta danos nas moradias de mais de 8.000 produtores e em milhares de instalações utilizadas no processamento do café.

Denominada “Some-se à Causa”, a iniciativa permitirá receber contribuições da Colômbia e de outros países por meio de diferentes mecanismos, entre eles códigos QR, chaves e moeda estrangeira por intermédio dos escritórios da Federação no exterior. A campanha pretende atrair doações de organismos internacionais, além de pessoas e empresas de dentro e de fora do país.

O primeiro diagnóstico da FNC concentra-se em Valle del Cauca, Risaralda, Caldas, Quindío, Antioquia e Chocó. Dos 10.460 cafeicultores contatados até o momento, 8.070 informaram danos em suas moradias: 709 tiveram perda total, 6.902 apresentaram danos parciais e outras 459 continuam com a estrutura em análise.

O impacto também atingiu a infraestrutura necessária à produção. A Federação informou danos em 4.713 unidades de beneficiamento, instalações nas quais a cereja recém-colhida é transformada em café verde seco. Desse total, 707 apresentam perda total e 3.740, danos parciais.

Para identificar as áreas mais atingidas, a FNC elaborou um mapa de calor que cruza informações sobre as falhas geológicas com a localização das famílias cafeicultoras. A partir dessa análise, estabeleceu um perímetro de maior impacto, que está sendo utilizado para orientar a coleta de informações e o atendimento em campo.

A Federação também está apoiando a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) no preenchimento do Registro Unifamiliar de Emergências (RUFE), requisito que permitirá aos produtores afetados ter acesso aos programas de auxílio.

Para esse trabalho, mobilizou 400 engenheiros agrônomos de seu serviço de extensão, que durante uma semana visitarão inicialmente 267 localidades rurais. A meta é chegar a 890 localidades priorizadas dentro da área afetada.

A campanha é liderada pelo gerente-geral da FNC, Germán Bahamón, que trabalha na procura de parceiros internacionais, enquanto a entidade mantém a operação em campo e o relacionamento com o Governo Nacional.

Entenda o que se sabe até agora sobre o terremoto na Colômbia

O terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na manhã de 10 de agosto de 2026, com epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó. O balanço oficial apontava 304 mortos, 4.548 feridos e 426 desaparecidos, segundo a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres da Colômbia (UNGRD), com dados atualizados até as 6h30 desta terça-feira (18).

Ao todo, 292.043 pessoas, pertencentes a 123.789 famílias, haviam sido afetadas em 472 municípios de 15 departamentos. O desastre também deixou 29.554 moradias destruídas e outras 134.342 danificadas.

Os impactos do terremoto foram especialmente graves em Chocó, Valle del Cauca, Risaralda e outras áreas do oeste e do centro-oeste do país. Escolas, unidades de saúde, estradas, pontes, sistemas de abastecimento de água e outras estruturas públicas também sofreram danos.

As operações de busca, resgate, atendimento às famílias e avaliação dos prejuízos continuavam em andamento, e as autoridades alertavam que os números ainda poderiam aumentar à medida que novas informações fossem consolidadas.

O que é a cafeicultura na Colômbia

Segundo a FNC, o país produziu 13,7 milhões de sacas de 60 quilos de café verde em 2025, o equivalente a cerca de 822 mil toneladas. No mesmo período, foram exportadas 13,14 milhões de sacas, cerca de 788 mil toneladas.

A cafeicultura está presente em grande parte da região andina colombiana, com destaque para departamentos como Huila, Antioquia, Tolima e Cauca, além das tradicionais áreas do Eixo Cafeeiro, como Caldas, Risaralda e Quindío. A atividade também tem presença importante em Valle del Cauca, Santander, Nariño e Cundinamarca.

Ainda de acordo com a FNC, cerca de 557 mil famílias colombianas estão ligadas à produção de café, o que ajuda a explicar o peso social da atividade no país. Em muitas regiões, a produção é desenvolvida por pequenos agricultores e representa a principal fonte de renda das famílias rurais.

Além da importância social, o café segue como um dos principais produtos agrícolas de exportação da Colômbia e tem peso relevante na geração de renda e de divisas. A própria Federação destaca que a atividade está distribuída por centenas de municípios, o que faz com que o desempenho da safra tenha efeito direto sobre a economia de diversas regiões do interior do país.

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