O primeiro dia do Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs) 2026 reuniu, nesta terça-feira (5), em São Paulo, representantes de toda a cadeia produtiva para discutir os principais desafios e oportunidades do setor.
A programação contou com a participação de autoridades, lideranças empresariais, produtores e especialistas, que debateram temas como abertura de mercados, inovação, sustentabilidade, eficiência produtiva e o fortalecimento das exportações brasileiras.
Considerado um dos principais encontros mundiais da proteína animal, o evento reúne representantes das cadeias de aves, suínos, bovinos, peixes e lácteos, além de empresas de genética, nutrição, saúde animal, equipamentos e tecnologia.
Na abertura oficial, o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), André de Paula, destacou a posição do Brasil como um dos maiores fornecedores mundiais de proteína animal e destacou que a credibilidade conquistada pelo país está diretamente ligada ao sistema de defesa sanitária.
“Nós temos uma defesa sanitária que contribui de forma direta pela excelência da defesa sanitária com a credibilidade que o Brasil atingiu”, destacou.
Segundo o ministro, o Brasil exporta atualmente para cerca de 180 países e territórios e já abriu mais de 660 mercados internacionais, resultado da qualidade dos produtos e da competitividade da produção nacional.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que a edição deste ano registra crescimento superior a 65% em relação à anterior. O evento reúne participantes de mais de 60 países em uma área de 45 mil metros quadrados, com cerca de 3.200 produtores e representantes de empresas.
Além da exposição de produtos e tecnologias, a programação inclui espaços voltados à bioseguridade, inovação, startups, sustentabilidade e demonstrações de soluções para diferentes segmentos da cadeia produtiva. Segundo Santin, a expansão do evento reforça o posicionamento do Brasil no calendário internacional das grandes feiras do setor.
“Ela é o ponto de encontro da proteína animal no mundo, agora ampliada para cadeia de bovino, além de aves, suínas, bovino, lácteos e peixes”, diz.
Mercado de ovos busca ampliar exportações
Durante a programação da tarde, o mercado de ovos esteve entre os principais temas debatidos. Dados apresentados pela ABPA mostram que, em 2025, 98,58% da produção brasileira permaneceu no mercado interno, enquanto apenas 1,42% foi destinada às exportações.
A expectativa do setor é ampliar esse volume nos próximos anos com a abertura de novos mercados. A produção brasileira deve superar 60 bilhões de unidades em 2026, e representantes da cadeia destacaram que a diversificação dos destinos internacionais tende a gerar novas oportunidades para produtores e exportadores.
Entre os mercados considerados estratégicos está a União Europeia, que teve seu processo de abertura iniciado no ano passado. Apesar das discussões comerciais em andamento, representantes do setor avaliam que a expectativa é manter esse importante destino entre os compradores da proteína brasileira.
Eficiência é prioridade para manter competitividade
Outro tema recorrente ao longo do evento foi a necessidade de elevar a eficiência da produção para preservar a competitividade do Brasil no mercado internacional.
O diretor executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas, destacou que o SIAVS reúne praticamente todos os elos da cadeia produtiva, criando um ambiente favorável para a troca de experiências entre empresas, pesquisadores, cooperativas e produtores.
Segundo ele, genética, nutrição, saúde animal, tecnologia e equipamentos são áreas que precisam atuar de forma integrada para aumentar a produtividade e reduzir custos.
Na avaliação do executivo, a eficiência será o principal diferencial competitivo da avicultura e da suinocultura brasileiras nos próximos anos diante do avanço de outros países produtores.
Suinocultura gaúcha reforça protagonismo nacional
O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul, Valdecir Folador, apresentou o panorama da atividade no estado, atualmente o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador de carne suína do país.
Segundo ele, o Rio Grande do Sul conta com aproximadamente 4.500 produtores tecnificados, distribuídos principalmente nas regiões Norte, Noroeste, Serra Gaúcha, Vale do Taquari e Vale do Caí.
O estado abriga tanto grandes agroindústrias quanto uma ampla rede formada por mais de 160 pequenas e médias empresas responsáveis pelo processamento de carne suína destinada, principalmente, ao mercado interno.
Anualmente, o Rio Grande do Sul produz cerca de 11 milhões de suínos e mantém um plantel de aproximadamente 400 mil matrizes. Um dos diferenciais apontados pelo dirigente é o elevado nível de produção em propriedades relativamente pequenas, muitas delas com menos de 40 hectares, demonstrando o alto grau de tecnificação da atividade.
Siavs
A programação do Siavs 2026 continua até quinta-feira (6) com painéis técnicos, rodadas de negócios, apresentação de novas tecnologias, debates sobre sustentabilidade, sanidade animal e mercado internacional.
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