O uso responsável de antimicrobianos na produção animal e o protagonismo feminino no agronegócio foram temas de destaque durante o segundo dia do Siavs 2026, em São Paulo. O evento reuniu especialistas, produtores e representantes da cadeia de proteínas animais para discutir desafios relacionados à sanidade, sustentabilidade e gestão no campo.
Durante um painel sobre avaliação de risco da resistência antimicrobiana, a diretora comercial da Elanco Monogástrico, Daisy Galle, destacou que o controle do problema depende de uma abordagem ampla, que envolve biosseguridade, boas práticas de manejo, integridade intestinal dos animais e programas adequados de prevenção.
Segundo a especialista, não existe uma fórmula única aplicável a todos os sistemas de produção. A estratégia envolve um conjunto de medidas para reduzir os riscos e garantir o uso correto dos medicamentos.
“A grande questão é falar que a análise de risco, ela não é algo pronto e nem aplicável a todos os sistemas da mesma maneira, mas existem fundamentos que são comuns”, explicou.
O tema ganhou ainda mais relevância diante das novas exigências comerciais da União Europeia. A partir de setembro, o bloco passa a cobrar de países exportadores o cumprimento de regras relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos em produtos de origem animal.
De acordo com Daisy, a medida representa um novo momento para o comércio internacional de proteínas.
“Pela primeira vez, a União Europeia se manifesta nesse sentido, exigindo o cumprimento disso por parte dos países terceiros em qualquer proteína animal que chegar até o bloco. Então, este é o momento que nós estamos vivendo. É o momento em que nós precisamos comprovar para a Europa de que nós atendemos a esses dois requisitos que foram postos como pré-requisitos a partir de 3 de setembro deste ano”, afirmou.
Mulheres ganham espaço na produção animal
Além da sanidade animal, o Siavs também destacou a participação crescente das mulheres no agronegócio brasileiro. O programa Mulheres SuperAgro, desenvolvido pela Seara, levou ao evento produtoras de diferentes regiões do país para compartilhar experiências e conhecer novas tecnologias para a produção.
Entre as participantes estava a produtora de aves de corte de Fortuna Sul, em Santa Catarina. Após participar da iniciativa, ela afirma que passou a enxergar o negócio rural de forma mais estratégica, principalmente em áreas como gestão financeira e tomada de decisões.
“O programa agregou não só ao meu trabalho dentro do aviário, mas principalmente ao meu crescimento pessoal, em resolver problemas e achar soluções, porque a gente tem muito desafio hoje em dia na avicultura,”, relatou.
Também de Santa Catarina, a produtora de aves de corte, Maria Teresa participou da feira acompanhada da filha. Produtora de frangos, ela destacou a importância do conhecimento adquirido para melhorar o manejo e acompanhar as transformações da atividade. “O programa trouxe explicação e incentivo para continuar aprendendo e crescendo no campo”, afirmou.
Dados do estudo “Mulheres nas cadeias de valor do agronegócio”, da Fundação IDH, apontam que as mulheres já comandam 19% das propriedades rurais brasileiras. A participação representa cerca de 30 milhões de hectares, concentrados principalmente em propriedades de até 20 hectares ligadas à agricultura familiar.
A troca de experiências e o desenvolvimento de habilidades de liderança também têm impacto direto na rotina das produtoras.
Conhecimento como ferramenta de transformação
O especialista em marketing do agronegócio José Luiz Tejon também destacou, durante o evento, a importância da participação dos produtores em feiras e congressos para acompanhar as mudanças do setor.
Segundo ele, encontros como o Siavs permitem contato com novas tecnologias, mercados e soluções que podem ser aplicadas nas propriedades rurais.
“Quando entramos em uma feira e em um congresso como esse, não saímos iguais como entramos. Levamos conhecimento, diálogos e novas oportunidades”, disse.
Com debates sobre inovação, sanidade e gestão, o Siavs reforçou o papel da capacitação como um dos caminhos para fortalecer a competitividade da produção animal brasileira e ampliar a participação de novos protagonistas no setor, incluindo as mulheres que atuam no campo.
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