A falta de mão de obra no campo continua no topo da lista dos problemas enfrentados pelo setor produtivo de Mato Grosso. Além da falta de crédito, custos altos de produção, dificuldade com armazenagem e logística, para 62,62% dos produtores rurais entrevistados por uma pesquisa o campo enfrenta alta dificuldade para contratar novos funcionários, principalmente operadores de máquinas agrícolas para 63,77%.
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), e divulgada nesta terça-feira (14).
O levantamento ouviu 415 produtores rurais de 87 municípios de Mato Grosso. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 5% para os resultados estaduais.
O problema da falta de qualificação técnica foi relatado por 69,16% dos entrevistados. Segundo o estudo, além de operadores de máquinas agrícolas, conseguir trabalhadores para serviços gerais foi uma das dificuldades apontada por 38,65% dos produtores entrevistados. Técnicos agrícolas ou agrônomos surge em seguida com 14,25%; monitores de pragas, com 10,87%; e profissionais para cargos de gerência ou encarregado, com 10,39%.
Desafio pode ser uma oportunidade
Na avaliação do Imea, tais resultados refletem a modernização da agricultura mato-grossense, ou seja, com o crescimento da mecanização e tecnologias, cresce também a necessidade de profissionais mais capacitados. Fato, que de acordo com o superintendente do Instituto, Cleiton Gauer, pode ser visto como uma oportunidade profissional.
“Quando mais de 60% dos produtores relatam alta dificuldade para contratar, o dado acende um alerta, mas também mostra que existe espaço para quem estiver preparado”.
O levantamento destaca ainda que foram contabilizados 6.814 trabalhadores fixos nas propriedades participantes. A média é de seis funcionários agrícolas por estabelecimento.
A modalidade de contratação de trabalhadores fixos predominante é a CLT em 96,12% das respostas. Além disso, 85,19% dos produtores informaram que a fazenda fornece alimentação aos colaboradores e 84,95% disponibilizam moradia ou alojamento.
Ainda entre os benefícios oferecidos aos funcionários, então transporte, treinamentos, vale-alimentação ou vale-refeição, plano de saúde e acesso à internet.
“O agro se tornou mais tecnológico, profissional e especializado. A pesquisa mostra a presença do emprego formal e de benefícios como alimentação e moradia. Quando mostramos essa realidade, mostramos também que existem possibilidades de carreira para diferentes perfis”, frisa o diretor de Relações Institucionais da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Ronaldo Vinha.
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