A Copersucar, maior comercializadora de açúcar e etanol do mundo, projeta maiores vendas de seus principais produtos na temporada 2026/27, na medida em que espera aumento da safra de cana-de-açúcar de suas associadas, há expansão do número de usinas do grupo, enquanto a demanda do adoçante é crescente.
Com 42 unidades produtoras no Brasil, o grupo projeta aumentar para mais de 125 milhões de toneladas a sua moagem de cana-de-açúcar em 2026/27 (abril/março), ante 108 milhões de toneladas em 2025/26, apesar de eventuais interrupções na colheita geradas por chuvas decorrentes do fenômeno climático El Niño.
“Esse resultado demonstra a robustez do nosso modelo de negócios,” diz Tomás Manzano, presidente da Copersucar. “Com um plano estratégico claro, uma governança sólida, muita disciplina financeira, gestão de riscos e um time com profundo conhecimento do mercado, temos flexibilidade e resiliência para enfrentar diferentes cenários, diversificar receitas e seguir crescendo de forma consistente ao longo dos ciclos econômicos.”
“Vemos crescimento de demanda, vemos uma safra um pouco maior. A Copersucar, com a entrada de novas usinas, teremos volumes maiores. Devemos ter crescimento de comercialização”, disse Manzano em coletiva online para comentar os resultados do ciclo 2025/26, quando a plataforma registrou um salto de 56,9% em seu lucro líquido para R$631 milhões.
O executivo não detalhou os volumes que a Copersucar, que conta com uma plataforma de etanol nos Estados Unidos, pretende comercializar em 2026/27.
Em 2025/26, quando a Copersucar operou com 39 unidades produtoras, a empresa negociou 17 milhões de toneladas de açúcar, crescimento de 9% na comparação ao ciclo anterior, com ganho de participação de mercado sobre os competidores que não tiveram aumento da produção, disse Manzano.
No etanol, a Copersucar registrou vendas de 21 bilhões de litros em 2025/26, contra 19,1 bilhões em 2024/25, incluindo os negócios da Eco-Energy, nos EUA.
El Niño
Manzano disse que ainda é muito cedo para “resultados determinísticos” do El Niño, ao ser questionado por jornalistas.
Mas ele observou que as chuvas registradas em algumas regiões, que poderiam receber mais precipitações do que a média até agosto, seriam benéficas para o desenvolvimento dos volumes da safra.
Por outro lado, o aumento da safra pode não se traduzir em produção de açúcar e etanol, alertou ele, já que as chuvas interrompem a colheita, a moagem e também os embarques.
“Isso pode não se traduzir em moagem, porque quando chove não consegue processar a cana, ou embarcar o produto. Vai depender se vai ter condição de moer toda a cana”, afirmou.
Se para a produção de cana no centro-sul do Brasil o efeito do El Niño pode não ser tão deletério, em outras áreas concorrentes, como na Índia, o fenômeno afetaria a safra pela menor umidade, sendo “construtivo” para os preços da commodity, o que beneficiaria a companhia, disse Manzano.
Açúcar ou etanol
Executivos da Copersucar destacaram que a plataforma de negócios da empresa, que inclui gás natural nos Estados Unidos, tem permitido a geração de lucros mesmo em ambientes econômicos desafiadores e em diferentes ciclos das commodities.
No caso do açúcar, os preços do produto negociado na bolsa de Nova York estão oscilando perto dos menores níveis em seis anos, enquanto as cotações do etanol estão pressionadas pelas expectativas de uma produção recorde no Brasil –nos dois primeiros meses da safra 2026/27 do centro-sul, houve crescimento de mais de 30%, segundo dados da Unica.
Manzano disse que a arbitragem de preços entre etanol e açúcar está “muito próxima”, ao comentar sobre expectativa de “mix” de destinação de cana para um produto ou outro na temporada 2026/27. “Este ano estamos vivendo um momento diferente de anos anteriores… as usinas vão administrar ao longo dos meses, a depender dos preços”, comentou.
Ele disse que o etanol está remunerando mais, o que ajuda a explicar o crescimento da produção no centro-sul, mas ressaltou que não se trata de uma safra “maxitanol”. “É difícil determinar o ‘mix’, as usinas vão calibrando (dependendo do preço)”, disse.
O executivo acrescentou que o mercado de açúcar não deve sustentar esse nível de preço abaixo de custos de produção para muitas unidades por um prazo longo, até porque as usinas tendem a produzir mais etanol nessa conjuntura, enquanto o cenário de oferta é visto como “bastante equilibrado”.
A companhia consolidou a BioRota como a maior iniciativa logística baseada em biometano do país, respondendo por 14% do açúcar escoado por caminhões até o Porto de Santos. Criado pela Copersucar, o projeto utiliza uma frota de caminhões movida a gás renovável, produzido a partir de resíduos orgânicos da própria cana-de-açúcar, para transportar açúcar das usinas associadas até o Porto de Santos.
O projeto realizou 13 mil viagens e transportou 600 mil toneladas da commodity desde abril de 2024. A substituição de 5 milhões de litros de diesel evitou a emissão de 8 mil toneladas de CO2 no modal rodoviário.
Próximos passos no mercado marítimo
O próximo passo da Copersucar envolve o direcionamento de esforços comerciais para o abastecimento de combustíveis marítimos.
A organização projeta o uso direto do etanol em motores adaptados para o metanol como vetor de descarbonização da navegação global.
“Temos um importante diferencial de acesso à molécula de etanol pela nossa presença relevante no Brasil, com a Evolua, e nos Estados Unidos, com a Eco-Energy, além de uma plataforma logística integrada”, diz Manzano.