30/05/2026

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Indústria de Máquinas Registra Queda de 14,9% em Abril e Abimaq Projeta Retração para 2026

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos voltou a encolher em abril e a associação de fabricantes Abimaq revisou a previsão de vendas deste ano de leve crescimento para queda, segundo dados divulgados nesta quarta-feira.

A receita líquida de vendas de abril recuou 14,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$21,3 bilhões. E no acumulado de janeiro a abril, o setor teve queda de 12% nas vendas frente ao mesmo período de 2025, para R$83 bilhões.

Com isso, a Abimaq cortou a estimativa de vendas do setor este ano para queda de 2,3%, ante estimativa anterior de alta de 0,7%, citando a conjuntura econômica considerada desafiadora pelo setor.

“Outros setores que esperávamos virem bem, vieram abaixo neste ano”, disse Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, a jornalistas.

Segundo o presidente da Abimaq, José Velloso, as expectativas para frente “são ruins, com taxa de juros elevada e sem perspectiva de queda, em meio à guerra, e com a agenda eleitoral mostrando que o governo (federal) não vai combater gastos; na verdade, vai ampliar gastos”.

No mercado interno, a receita com venda de máquinas e equipamentos em abril caiu 26,6% ante abril de 2025, para R$13,9 bilhões. O consumo aparente no mês passado retraiu 20,6%, para R$27,8 bilhões.

“O desempenho negativo observado em 2026 reflete a fraqueza das atividades relacionadas à agricultura e à indústria de transformação, setores impactados pela manutenção das taxas de juros em patamares elevados e restritivos aos investimentos produtivo”, disse a Abimaq.

As exportações, contudo, atingiram US$1,47 bilhão em abril, uma alta de 42,7% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 43,1% na comparação com março.

Segundo a Abimaq, parte do desempenho positivo das exportações “reflete a base de comparação deprimida do primeiro quadrimestre de 2025, período marcado pela fraqueza da atividade industrial nos Estados Unidos, principal mercado das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos”.

Já as importações somaram US$2,6 bilhões em abril, o que representa uma alta de 1,8% ano a ano.

O nível de utilização da capacidade instalada atingiu 78,9% em abril, superior ao patamar observado um ano antes, de 77,5%.

A carteira de pedidos ficou em nove semanas, 4,1% inferior ao mês de abril de 2025.

Velloso afirmou que alguns setores da economia não têm condições de se adequar ao fim da escala de trabalho 6×1 como proposto no texto que tramita no Congresso. “Nossa preocupação é grande.”

Segundo ele, o relatório não leva em consideração “as especificidades de setores”.

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