A história de Júlio César Teixeira do sítio Prata, em Bela Vista do Paraíso, no Paraná, é o retrato da resiliência que define o homem do campo. Sua relação com a terra vem desde o berço, na Vila Grande, município de Primeiro de Maio, no norte do estado, onde ainda menino ajudava na colheita manual de café e algodão.
Mas uma praga severa de bicudo devastou as lavouras de algodão da região, forçando o jovem de 17 anos a mudar de rumo. Diante da crise na lavoura, ele comprou um caminhão para transportar soja, trabalhou em borracharia e, anos mais tarde, decidiu voltar aos estudos.
Durante a faculdade, um colega que atuava como gerente de recursos humanos o convidou para gerenciar uma empresa de recebimento de grãos. Júlio permaneceu nesse emprego corporativo de 2002 a 2017. Contudo, a semente da avicultura foi plantada em sua mente ao observar os produtores integrados que forneciam milho para a fábrica de ração onde trabalhava.
Em 2010, ele adquiriu o sítio Prata. Anos depois, impulsionado pelo conselho de um diretor da empresa, decidiu tirar o sonho do papel e construiu seus dois primeiros aviários em 2016. Sua esposa, que atua como dentista, deu o apoio necessário para que ele enfrentasse o alto endividamento inicial dos financiamentos bancários.
A lida na chuva e a jornada para crescer
O começo da atividade exigiu jogo de cintura e muito suor, pois Júlio não tinha experiência prática no ramo e dividia seu tempo com as obrigações da empresa. Nas horas vagas, ele visitava outras propriedades para entender o que dava certo ou errado no manejo. Logo nos primeiros anos, o produtor enfrentou estradas de terra precárias que atolavam caminhões de ração em dias de chuva, além de quedas constantes na rede de energia elétrica local. Para não deixar o lote passar fome ou frio, o uso de geradores tornou-se obrigatório na propriedade.
Como o lucro por ave individual é baixo, Júlio percebeu cedo que o segredo da avicultura, assim como na soja, está no volume. Com o passar do tempo, ele reinvestiu cada centavo que sobrava na própria estrutura. Dessa forma, ergueu o terceiro aviário em 2020, o quarto em 2022 e, por fim, expandiu para seis galpões automatizados em 2024, após um chamado de expansão da integradora JBS/Seara. Atualmente, o sítio Prata conta com três núcleos tecnológicos de pressão negativa, com capacidade total para alojar 240 mil aves por ciclo.
Primeiro lugar no Superagro e o plano de sucessão
O diferencial do sítio Prata é a visão de gestão empresarial focada em números e automação. Júlio opera com energia solar e gerencia o negócio por fora, comprando os insumos e pellets, enquanto deixa o manejo diário nas mãos de granjeiros parceiros especializados.
Esse capricho rendeu resultados de peso: no ano de 2024, a granja conquistou o primeiro lugar em conversão alimentar na integração da JBS de Rolândia. Além disso, a propriedade acumula premiações anuais no Superagro, figurando novamente entre os lotes mais cotados para o topo do pódio.
Após dez anos de avicultura, a família colhe os frutos da estabilidade e projeta a sucessão no campo. A esposa de Júlio planeja deixar o consultório odontológico nos próximos três anos para auxiliá-lo na administração, enquanto as duas filhas, Laura e Luísa, estudam com o objetivo de assumir o gerenciamento futuro da empresa familiar.
Realizado com a transição de carreira, Júlio não sente saudades do escritório corporativo e orgulha-se de produzir proteína de qualidade para mercados exigentes, provando que o frango ensina resiliência e controle financeiro a quem tem coragem de investir.
Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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