O setor avícola brasileiro está com os olhos bem abertos para as discussões que vêm de Brasília e do exterior. Novas decisões podem mexer diretamente com a rotina dos galpões e no bolso do produtor.
Recentemente, o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, sentou-se para conversar com o diretor da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Marcelo Osório.
Entre os principais assuntos debatidos estiveram o fim da escala de trabalho 6×1 e o perigo de perder as vendas de proteínas destinadas ao mercado europeu .
A possibilidade de mudar escalas de trabalho causou receio na cadeia de proteína animal. Como o trato das aves e os frigoríficos dependem de uma operação que não para nunca, alterações de uma hora para outra podem travar o atendimento dos pedidos.
Diante disso, as lideranças defendia que a Câmara votasse a proposta com o pé no freio, mas, como isso não aconteceu, a esperança é que o Senado tenha mais parcimônia na aprovação.
A categoria pede um tempo de transição longo para evitar a falta de braço no campo e permitir que o produtor se ajeite.
Projeto contra a Influenza Aviária segue parado
Além do nó na conversa trabalhista, o setor debate a criação do Dia Nacional da Biosseguridade, planejado para todo dia 25 de outubro. Essa ideia quer transformar a prevenção em regras fixas para proteger as criações de aves, suínos e bovinos. Na avicultura, por exemplo, o foco principal é criar uma barreira forte contra a Influenza Aviária.
Todavia, o projeto caminha a passos lentos no parlamento. As lideranças criticam o fato de Brasília olhar apenas para os assuntos que estão “na boca do povo”, esquecendo de debater pautas que protegem a produção.
De acordo com as lideranças, essa paralisia política pode custar caro para a economia, colocando em risco o status sanitário que o Brasil demorou décadas para construir. Por conta desse cenário, as entidades prometem intensificar as conversas com os deputados e senadores.
União Europeia no radar
Somado aos desafios de dentro de casa, os exportadores correm contra o relógio para evitar o bloqueio da União Europeia, marcado para 3 de setembro. O bloco exige novos laudos sobre a redução do uso de antibióticos nas granjas. Ainda assim, a avicultura nacional reforça que tem feito o dever de casa, ajustando o manejo para atender as exigências globais
Conforme a Asgav, essa negociação é crucial para o Rio Grande do Sul. O mercado europeu compra quase 11% de toda a carne de frango exportada pelo estado. Dessa forma, perder esse canal de vendas traria um prejuízo severo para o povo gaúcho.
As associações mantêm o foco na entrega rápida dos papéis à União Europeia para garantir a segurança do produto e manter o fluxo das vendas externas.
*Sob supervisão de Victor Faverin
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