A suspensão das importações de carnes brasileiras pela União Europeia acendeu um sinal de alerta na avicultura nacional. A restrição está programada para o dia 3 de setembro e foi motivada por supostas falhas no controle de antimicrobianos nas granjas.
Representantes da cadeia produtiva mantêm alta confiança na qualidade dos protocolos sanitários do país e afirmam que existe amplo espaço para negociação técnica e diplomática antes que o bloqueio entre em vigor. As operações de exportação seguem em ritmo normal até a data estipulada pelo bloco.
Segurança sanitária
O questionamento europeu concentra o foco no uso de antibióticos na criação dos animais. De acordo com o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Paulo Cândido, causa estranhamento o fato de parceiros do Mercosul, como Argentina e Uruguai, continuarem com autorização plena para exportar.
“Neste momento, é importante manter a calma e a confiança em nossos sistemas de produção e controle sanitário. Nesse ponto é importante ressaltar que em um mundo com população crescente e recursos naturais limitados, países capazes de produzir alimentos em grande escala, com estabilidade sanitária e eficiência logística, como por exemplo, o Brasil, tem um ativo estratégico de enorme relevância, que é a capacidade de garantir segurança alimentar global”, pontua.
Segundo ele, é preciso lembrar que o Brasil construiu um histórico robusto de mais de 40 anos no fornecimento regular de proteína animal para a Europa, o que sustenta a expectativa de que o Ministério da Agricultura reverta a medida apresentando tempestivamente todos os documentos de rastreabilidade exigidos.
Paraná lidera a força da avicultura nacional
O impacto de um eventual bloqueio atinge diretamente o Paraná, protagonista do fornecimento nacional. Estatísticas consolidadas apontam que o estado responde por 35% de toda a produção brasileira e concentra 42% das exportações da avicultura do país.
Em escala global, o Brasil domina cerca de 36% das vendas mundiais de carne de frango, enquanto o Paraná sozinho detém uma fatia próxima a 16% deste mercado internacional.
A prioridade do governo e da indústria agora é atestar a segurança dos produtos para preservar esse protagonismo e garantir a continuidade do abastecimento.
*Sob supervisão de Victor Faverin
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