A indústria cervejeira brasileira encerrou 2025 com 1.954 cervejarias registradas, presença em 794 municípios, 44.212 produtos cadastrados e exportações que alcançaram US$ 218,3 milhões. Os dados fazem parte do Anuário da Cerveja 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), documento apresentado nesta terça-feira (19) e que reúne estatísticas de produção, registros, comércio exterior e empregos na cadeia produtiva nacional.
Segundo o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Hugo Caruso, o desempenho do setor demonstra a consolidação da cerveja brasileira no mercado externo. “Embora o crescimento interno tenha sido mais contido, o avanço no valor das exportações e o superávit histórico da balança comercial destacam o protagonismo crescente da cerveja brasileira no mercado internacional.”
Os números do levantamento mostram uma desaceleração no ritmo de abertura de novas empresas. O total de cervejarias cresceu apenas 0,3% em relação a 2024, o menor avanço percentual da série histórica. Em termos absolutos, o setor adicionou cinco novos estabelecimentos no período. Apesar disso, no acumulado desde o início da série histórica, o crescimento alcança 4.785%.
A distribuição geográfica da atividade mantém a concentração nas regiões Sul e Sudeste. O Sudeste responde sozinho por 47,2% das cervejarias registradas do país, com 923 estabelecimentos ativos. São Paulo lidera o ranking estadual com 452 unidades registradas, seguido por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná.
O levantamento também aponta movimentos distintos entre expansão e encerramento de operações. Durante 2025 ocorreram 158 cancelamentos ou vencimentos de registros de cervejarias, aumento de 42,3% em relação ao ano anterior. O Rio Grande do Sul liderou esse movimento, com 36 ocorrências, equivalente a 22,8% do total nacional.
Mesmo com menor expansão no número de estabelecimentos, a variedade de produtos avançou. O país passou a contar com 44.212 cervejas registradas, aumento de 2,4% frente ao ano anterior, além de 56.170 marcas cadastradas. São Paulo concentra 13.240 produtos registrados e 17.651 marcas, mantendo a liderança nacional.
A dinâmica dos registros mostra mudanças no perfil da indústria. Municípios com modelos de produção compartilhada ganharam espaço nas estatísticas. Várzea Paulista, no interior paulista, registrou 539 produtos em uma única cervejaria. Segundo o anuário, a concentração está relacionada ao modelo conhecido como “cervejaria cigana”, em que diferentes cervejeiros utilizam a mesma estrutura industrial para fabricar seus produtos.
No comércio exterior, o comportamento dos indicadores seguiu trajetórias diferentes entre volume e faturamento. As exportações somaram 315,5 milhões de litros em 2025, retração de 5,1% em volume na comparação anual. O valor total embarcado, porém, atingiu US$ 218,3 milhões, crescimento de 6,9% e maior resultado da série histórica. O preço médio do litro exportado passou de US$ 0,61 para US$ 0,69.
O Paraguai permaneceu como principal destino da cerveja brasileira, absorvendo 62,3% do volume exportado. Somados, os países da América do Sul responderam por 98,5% das vendas externas da bebida produzida no Brasil.
A balança comercial do setor registrou superávit de US$ 195 milhões, crescimento de 7,1% sobre 2024 e maior resultado do período analisado pelo Mapa.
“Os números do Anuário mostram um setor que segue evoluindo e ampliando sua presença no país. Nos cenários desafiadores que enfrentamos em 2025, a cerveja provou que pode se reinventar, se adaptar. O brasileiro faz questão da cerveja em seus momentos de celebração e conexão”, diz Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja.
Segundo o executivo, os resultados mostram a capacidade de adaptação do setor. A edição de 2026 do anuário incorpora uma nova camada de análise territorial elaborada em parceria com a Embrapa Territorial. Os mapas incluídos no estudo mostram a dispersão geográfica das cervejarias brasileiras e a concentração dos polos produtivos no Sul e Sudeste. O material registra presença de estabelecimentos em 14,3% dos municípios do país.