24/05/2026

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Como Microplásticos Estão Migrando das Embalagens para Alimentos e Bebidas

Quase 1.000 toneladas de microplásticos estão migrando anualmente das embalagens para os alimentos e bebidas que elas contêm, segundo uma nova análise. O relatório publicado pela Earth Action em colaboração com a rePurpose Global estima que a ingestão média individual seja de cerca de 130 miligramas de microplásticos por ano.

O documento afirma que a exposição a microplásticos provenientes de embalagens de alimentos e bebidas é mais concentrada e mais passível de prevenção do que se entendia anteriormente.
O estudo argumenta que um pequeno número de formatos de embalagens e condições de estresse responde por uma parcela desproporcional das emissões, indicando oportunidades claras para lidar com a questão.

Por exemplo, o estudo afirma que garrafas de tereftalato de polietileno (PET) representam aproximadamente um terço da exposição total relacionada às embalagens. A pesquisa acrescenta que a exposição à luz solar e à radiação ultravioleta pode aumentar a liberação de partículas nos alimentos ou bebidas em até duas ordens de magnitude.

Também afirma que o estresse térmico causado por envase a quente ou pelo aquecimento em micro-ondas pode enfraquecer o material e elevar significativamente o desprendimento de partículas.
Os pesquisadores também destacam uma lacuna crítica nas regulamentações de segurança alimentar, uma vez que as normas atuais praticamente não consideram nem a liberação de partículas nem um perfil combinado de exposição.

O relatório recomenda limitar a exposição à radiação ultravioleta durante o transporte e a exposição no varejo de embalagens plásticas para alimentos, além de reformular componentes submetidos a alto estresse, como tampas e sistemas de fechamento.

O co-CEO e diretor de pesquisa da Earth Action, o doutor Julien Boucher, afirmou em entrevista que todos os tipos de embalagens analisados no relatório apresentaram tendência à liberação de partículas plásticas. Boucher afirmou que essa liberação pode ocorrer por estresse mecânico, como abrir, fechar ou apertar embalagens plásticas.

A outra principal via ocorre quando compostos plásticos reagem a condições físicas, como exposição à luz ultravioleta ou à luz solar, o que pode liberar microplásticos nos alimentos ou na água que a embalagem contém. Ele diz também que são necessárias mais pesquisas para determinar quanto da contaminação plástica vem de etapas anteriores da cadeia de valor, incluindo o processamento de alimentos e atividades agrícolas, em comparação com a própria embalagem.

“Se você observar a cadeia de abastecimento alimentar atualmente, praticamente podemos dizer que todos os alimentos que ingerimos tiveram contato com plástico em algum momento”, disse Boucher.

Segundo a professora e doutora Winnie Courtene-Jones, da Bangor University, existem mais de 16.000 substâncias químicas diferentes utilizadas na produção de plásticos, incluindo mais de 4.000 que possuem propriedades reconhecidamente perigosas.

A pesquisa de Dr. Courtene-Jones sugere que alimentos gordurosos e ácidos, combinados com temperaturas elevadas, podem aumentar a migração de substâncias químicas presentes no plástico das embalagens para os alimentos. Ela também diz que é importante que a indústria do plástico evite o uso de substâncias perigosas e desenvolva produtos mais seguros e sustentáveis.

“As pessoas devem agir com cautela e adotar uma abordagem prática, buscando limitar nossa exposição sempre que possível”, afirmou a cientista. “Não conhecemos os efeitos de algumas dessas substâncias, e mesmo assim elas estão sendo utilizadas em embalagens de alimentos e em diversos produtos plásticos aos quais somos expostos regularmente.”

Svanika Balasubramanian, diretora de circularidade e fundadora da rePurpose Global, afirmou que os dados apresentados no relatório mostram como escolhas melhores nas etapas iniciais da cadeia podem impedir que bilhões de partículas cheguem aos alimentos antes mesmo de chegarem aos consumidores.

Balasubramanian acrescentou que um número relativamente pequeno de formatos de embalagens e condições da cadeia de suprimentos responde pela maior parte da exposição, o que significa que a indústria de embalagens possui uma oportunidade concreta e também a responsabilidade de reformular sistemas de embalagem para reduzir essas emissões.

E Albert Douer, CEO da UBQ Materials, afirmou por e-mail que uma das maneiras mais eficazes de evitar a exposição a microplásticos é atuar sobre sua causa principal: os resíduos plásticos. Douer acrescentou que o mundo produz mais de 450 milhões de toneladas de plástico por ano, porém apenas 9% é reciclado. “Essa não é uma estratégia sustentável nem para o meio ambiente nem para a saúde humana”, afirmou.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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