23/05/2026

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Uva gigante japonesa viraliza nas redes sociais e ganha versão brasileira no interior de São Paulo

Recentemente, vídeos de uma variedade de uva verde gigante virilizaram nas redes sociais. O fenômeno ganhou força no Brasil após uma influenciadora viajar para a Ásia e mostrar a fruta, conhecida como uma das uvas mais caras do mundo. Mas o que também tem chamado a atenção dos internautas é a descoberta de que uma variedade semelhante já é produzida no Brasil , mais precisamente em Pilar do Sul, no interior de São Paulo.

A uva é considerada hoje uma das pioneiras da categoria gourmet no Brasil. O representante da área de marketing da cooperativa APPC, responsável pela marca e patente da Pilar Moscato, afirma que o posicionamento da fruta nesse segmento surgiu de forma natural ao longo do desenvolvimento do produto no país.

“No Brasil, esse conceito de frutas gourmet não existia. As pessoas compravam muito pelo preço e pouco pela aparência. O sabor mesmo não era tão valorizado. Foi aí que começamos a trabalhar com foco em sabor e qualidade”, comenta Tamon Morioka.

Outro fator que impulsionou a fama da variedade no Brasil foi o sabor extremamente adocicado. Quando atinge o ponto ideal de maturação, a fruta pode apresentar índice de doçura superior ao da cana-de-açúcar. Na escala Brix, métrica utilizada para medir a concentração de açúcares nos alimentos, a uva chega a registrar 18 graus, enquanto a cana costuma apresentar índices próximos de 16.

Tamon também explica como funciona o processo de seleção das frutas para que elas possam ser comercializadas como Pilar Moscato.

“Se você pegar uma uva comum no mercado hoje, ela normalmente chega a 14 graus Brix. A nossa precisa ser colhida com 18. Só que apenas entre 20% e 30% da produção consegue atingir esse nível de doçura, porque isso depende de muitos fatores externos”, relata.

Além da doçura, outro critério analisado para que a fruta seja classificada como Pilar Moscato é o tamanho da baga, que precisa ter no mínimo 24 milímetros de diâmetro. Os cachos que não atingem os padrões exigidos também são comercializados pela cooperativa, mas recebem outra classificação.

Produção

A uva cultivada em Pilar do Sul tem sua produção igual a de outras espécies na maior parte do processo. Porém, uma das etapas requer uma atenção diferente, o que deixa o trabalho mais manual para quem auxilia nesse cultivo.

” Como qualquer uva comum, fazemos poda dela normal. O que diferencia ela é a época de seleção. Para as uvas convencionais, de mesa, normalmente é passado um pente no cacho para fazer o raleio. Já na pilar moscato, ela não aceita esse pente, porque ela é muito sensível. Então, a gente tem que fazer o desbaste na mão, na tesoura. A gente tira baga por baga para poder fazer o formato do cacho certinho, para as bagas crescerem daquela maneira.” explica Tamon.

O clima e outros fatores externos também têm impacto direto na qualidade da fruta. Por isso, o período ideal de produção e colheita é relativamente curto, já que o volume de chuvas influencia diretamente o nível de doçura da uva. Dessa forma, janeiro e fevereiro costumam ser considerados os melhores meses para colheita e comercialização da Pilar Moscato, embora a safra normalmente se estenda até maio.

A cooperativa também planeja estudar o cultivo em outras regiões do Brasil, estratégia que pode ampliar a produção e permitir colheitas em diferentes épocas do ano ou por períodos mais longos.

Diferenças e semelhanças com a versão japonesa

Mesmo com a origem da cultivar brasileira sendo da espécie japonesa, fatores de clima e o tamanho das plantações influenciaram para que a nossa versão de tornasse diferente da “original”. A produção da shine muscat é comumente feita por pequenos produtores japoneses, que por terem menores quantidades, conseguem dar uma atenção maior a esse trabalho manual, tornando os cachos os mais perfeitos possíveis.

Tamon conta que a produção em Pilar do Sul se assemelha e tenta chegar o mais próximo possível do modelo de manejo japonês, porém as produções maiores deixam a Pilar Moscato com características diferentes.

“A gente tenta fazer a formação do cacho perfeito para tudo estar bem encaixadinho, mas o clima é diferente do Japão e aqui as nossas áreas também são maiores, então não conseguimos dar 100% de atenção para cada um dos desses caxinhos”, diz o profissional de marketing.

Foto: Reprodução/Youtube APPC

Além de detalhes estéticos, o clima brasileiro influencia na textura da uva também. A Pilar Moscato, por ter uma porcentagem maior de polpa que uvas comuns, tem uma crocância maior.

Como curiosidade, Tamon destaca que um amigo do Japão prefere a versão de Pilar do Sul, muito por de sua textura mais consistente, “Ele vem direto para o Brasil e fala que prefere comer a nossa do que comer a do Japão. Fala que a nossa tem uma crocância maior”, comemora.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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