A empresa de alimentos MBRF reportou nesta quinta-feira lucro líquido de R$111 milhões no primeiro trimestre de 2026, aumento de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, com impulso das exportações em meio à forte demanda global por carnes, o que levou a companhia a projetar uma perspectiva favorável para 2026.
Em relatório de resultado, a empresa apontou que o avanço das vendas externas foi sustentado pelos embarques de carnes de frango para a União Europeia e China, enquanto ampliou participação nas exportações para o Oriente Médio mesmo no período da guerra no Irã, contando com sua forte presença na região do Golfo Pérsico.
Para Miguel Gularte, CEO da companhia resultante da fusão da Marfrig com a BRF, o início do ano positivo trouxe perspectivas de resultados favoráveis, apesar dos desafios relacionados a custos logísticos pela guerra e um recente impasse sobre embarques do Brasil para a União Europeia.
“Um ano que nós estamos com a expectativa de que seja melhor do que 2025. Estamos trabalhando para isso com a confiança de que isso vá correr”, disse o executivo a jornalistas em entrevista por ocasião da divulgação do balanço financeiro.
Questionado sobre a saída do Brasil de uma lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia a partir de setembro, devido a um processo sobre o uso de antimicrobianos, Gularte disse acreditar que “tudo indica que é uma questão de validação de processos”, e que a situação estará revertida antes de a proibição passar a valer efetivamente.
“Tenho convicção que o governo brasileiro tem condições de demonstrar que o produto é seguro. O Brasil vai estar de volta na lista muito antes de a suspensão ocorrer na prática”, afirmou.
Com relação aos limites tarifários para exportação de carne bovina à China, uma vez que o Brasil deverá completar já em junho uma cota anual de embarques de 1,1 milhão de toneladas, o executivo observou que a companhia será capaz de atender a demanda chinesa por meio das operações no Uruguai e Argentina.
Números do trimestre
No primeiro trimestre, o volume vendido total da companhia recuou 2% na comparação com o mesmo período do ano passado, para 1,95 milhão de toneladas, pressionado por menores vendas no mercado interno. Já os mercados externos da MBRF tiveram alta de 2,7%, para 729 mil toneladas.
A companhia, dona de marcas como Sadia, Perdigão e Qualy, registrou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$3,1 bilhões, uma queda de 3,2% na comparação anual, devido principalmente a uma “compressão” do resultado da BRF, pela “sazonalidade típica do primeiro trimestre do ano, não observada no primeiro trimestre de 2025”.
Já a receita líquida somou R$39,5 bilhões, praticamente estável, mas limitada por efeitos do câmbio, considerando a valorização do real frente ao dólar.
No primeiro trimestre, a receita líquida em dólares representou 74% do total consolidado, considerando as operações da América do Norte com exportações da América do Sul e da BRF.
A companhia afirmou que 46% da receita veio da América do Norte, onde a companhia enfrenta desafios de custos mais elevados com a baixa oferta de gado; outros 16% foram provenientes da América do Sul, também com foco em carne bovina; e 38% da BRF, unidade brasileira de processados e carnes de frango e suína.
Oriente Médio
Com presença consolidada no Oriente Médio e apoiada pelo relacionamento com parceiros locais e distribuição própria, a administração da MBRF ressaltou que conseguiu ampliar entre fevereiro e março a participação nas exportações para países da região em 12 pontos percentuais, apesar das dificuldades geradas pela guerra no Irã.
Assim, a empresa disse ter concluído o trimestre com rentabilidade recorde na Sadia Halal e margem Ebitda ajustada de 15,6%. A companhia destacou também ter feito o maior volume de sua história durante o Ramadã, um dos períodos de maior consumo para os países islâmicos.
Gularte afirmou que os resultados positivos foram mantidos em abril e início de maio no Oriente Médio. “Capitalizamos de forma muito evidente este momento, segue vigente, as entregas seguem ocorrendo, a demanda segue ocorrendo.”
O vice-presidente de Finanças e RI da MBRF, José Ignacio Scoseria, disse que o mercado externo, tanto para a proteína bovina quanto para frango, está “extremamente demandado”, o que impulsiona a rentabilidade do negócio.
No mercado brasileiro, apesar do recuo nos volumes em um período com consumo “mais moderado”, a MBRF afirmou que, com sua estratégia comercial nas frentes de aves e suínos ampliou a participação nos pontos de venda em 1,3 ponto percentual.