O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que ocorre nesta semana, talvez seja um dos mais importantes dos últimos anos para a economia mundial.
Não apenas porque reúne os líderes das duas maiores potências do planeta, mas porque coloca frente a frente dois projetos de poder que disputam tecnologia, influência global, energia, indústria e controle das cadeias estratégicas de produção.
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Mas existe um ponto nessa disputa que merece atenção especial do Brasil: a segurança alimentar chinesa.
A China sabe que, para sustentar seu crescimento econômico, sua urbanização e seu projeto de liderança global, precisa garantir fornecimento estável de matérias-primas essenciais — principalmente alimentos. E é justamente aí que o Brasil ganha importância estratégica.
A China pode negociar com os Estados Unidos. Mas dificilmente aceitará depender deles para sua segurança alimentar.
Relação marcada por desconfiança
Os americanos continuam sendo gigantes na produção agrícola mundial. Mas a relação entre Washington e Pequim passou a ser marcada por desconfiança estrutural.
Tarifas, restrições tecnológicas, disputas geopolíticas e sanções comerciais mostraram aos chineses que depender excessivamente dos Estados Unidos pode representar um risco estratégico.
Por isso, a China trabalha há anos para diversificar fornecedores e ampliar relações consideradas mais seguras no longo prazo. E o Brasil aparece nesse cenário como parceiro praticamente indispensável.
O país reúne escala de produção, capacidade de expansão agrícola, disponibilidade de água, clima favorável e competitividade em soja, milho, carnes e celulose. Além disso, existe uma complementaridade natural entre os dois países.
Enquanto a China se industrializa e concentra sua população nas cidades, precisa importar volumes crescentes de alimentos e proteína animal. O Brasil, por outro lado, possui capacidade de ampliar produção justamente nesses setores.
Estratégia chinesa e segurança alimentar
O Brasil não é apenas um fornecedor. Tornou-se parte da estratégia chinesa de segurança alimentar. Isso não significa que os Estados Unidos perderão relevância.
Mas significa que, mesmo em cenários de aproximação diplomática entre Donald Trump e Xi Jinping, dificilmente a China concentrará novamente sua dependência agrícola nos americanos.
A lógica chinesa hoje é outra: diversificar para reduzir riscos. Por isso, o Brasil tende a continuar ocupando posição estratégica dentro dessa relação global. O desafio brasileiro será outro.
Não basta apenas produzir mais. O país precisará melhorar infraestrutura, logística, armazenagem, segurança jurídica e agregação de valor para consolidar esse espaço no longo prazo. Porque, no fim, a disputa entre Estados Unidos e China não é apenas comercial.
É uma disputa por segurança, previsibilidade e influência global. E o agro brasileiro está exatamente no centro dessa engrenagem.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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