A Suzano recebeu autorização da União Europeia para concluir a compra de parte dos negócios internacionais de papel higiênico, lenços e toalhas de papel da Kimberly-Clark sem precisar fazer concessões. Os reguladores europeus entenderam que a operação não deve prejudicar a concorrência no mercado.
A brasileira Suzano é uma das maiores produtoras globais de celulose de eucalipto, matéria-prima usada na fabricação de papel. No Brasil, a companhia também atua no segmento tissue, categoria que reúne produtos de papel para higiene e uso cotidiano, como papel higiênico, lenços, guardanapos, toalhas de papel e panos de limpeza. Anunciado em junho do ano passado, o acordo prevê o pagamento de US$ 1,734 bilhão em espécie, pela Suzano.
A Kimberly-Clark IFP, subsidiária criada na Holanda especificamente para a operação, reúne justamente os negócios internacionais de tissue da companhia americana fora dos Estados Unidos. A divisão concentra a produção e venda desses produtos em regiões como Europa, África, América do Sul, América Central, Porto Rico, Oriente Médio, Ásia e Oceania.
A compra foi oficialmente apresentada à Comissão Europeia no dia 31 de março. O órgão é responsável por analisar fusões e aquisições de grandes empresas que atuam no bloco europeu para avaliar se as operações podem reduzir a concorrência no mercado. O principal ponto analisado era o tamanho da Suzano no mercado global de celulose. A empresa brasileira é uma das maiores fornecedoras do mundo da matéria-prima usada para fabricar papel higiênico e produtos tissue.
Com a aquisição, a Suzano passa a ganhar mais presença justamente na etapa final do negócio, entrando mais forte na produção e venda desses produtos ao consumidor.
A preocupação da Comissão Europeia era saber se a companhia poderia usar sua força no mercado de celulose para dificultar a vida de concorrentes depois da compra, por exemplo, reduzindo oferta de matéria-prima ou cobrando preços mais altos.
Depois da investigação, os reguladores concluíram que isso não deve acontecer. Segundo a União Europeia, o mercado continua tendo muitos fornecedores de celulose, além de capacidade suficiente para abastecer fabricantes concorrentes. O órgão também destacou que empresas do setor conseguem trocar de fornecedor com relativa facilidade.
Outro fator considerado foi a participação de mercado da Kimberly-Clark IFP na Europa, considerada limitada pelos reguladores. Na avaliação da Comissão, a operação não daria poder suficiente para a empresa combinada dominar o setor.