10/05/2026

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o Que Ainda Resta para Lula e Trump Negociar sobre o Campo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira (7) com Donald Trump, em Washington, em um encontro marcado por tensões comerciais acumuladas desde 2025. Os temas centrais declarados pelos dois governos envolvem comércio, minerais críticos e segurança econômica. O agro brasileiro é parte desse jogo e segue no centro das preocupações do setor privado dos dois países.

Desde julho de 2025, quando os Estados Unidos abriram uma investigação formal contra práticas comerciais brasileiras e anunciaram tarifas adicionais sobre produtos do Brasil, parte das medidas perdeu força política ou passou a ser negociada bilateralmente. Ainda assim, permanecem pontos sensíveis que podem afetar exportações, investimentos e custos da cadeia agroindustrial.

Há pelo menos cinco temas que seguem sem solução definitiva.

1 – A investigação da Seção 301 continua aberta

O principal foco de preocupação do setor exportador brasileiro continua sendo a investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O mecanismo permite ao governo americano aplicar sanções comerciais unilaterais caso conclua que outro país adota práticas consideradas desleais ou discriminatórias contra empresas americanas.

A investigação contra o Brasil foi iniciada em julho de 2025 e envolve temas como comércio digital, propriedade intelectual, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais e questões ambientais relacionadas ao comércio.

O processo ainda não foi concluído. A expectativa em Washington é de que o USTR avance para uma definição ao longo de 2026, podendo arquivar o caso ou recomendar medidas compensatórias. O USTR, ou Office of the United States Trade Representative (Escritório do Representante Comercial dos EUA), faz parte do gabinete executivo de Trump e seu titular , o embaixador linha dura Jamieson Greer, atua como o principal conselheiro, negociador e porta-voz do presidente nestes assuntos.

O tema preocupa o agronegócio porque uma eventual decisão favorável a sanções pode atingir setores além dos originalmente discutidos durante as audiências públicas realizadas nos EUA.

Em setembro de 2025, representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), participaram de audiência pública promovida pelo USTR para defender o setor agropecuário brasileiro e tentar evitar ampliação de barreiras comerciais. A CNA segue como a principal voz para que o agronegócio não seja usado como “moeda de troca” ou alvo secundário de retaliações originadas em outros setores (como o tecnológico ou industrial).

2 – Tarifas e barreiras ainda preocupam exportadores

Embora parte das medidas comerciais anunciadas por Trump em 2025 tenha sido flexibilizada durante as negociações posteriores entre os dois países, exportadores brasileiros ainda aguardam definições mais claras sobre possíveis sobretaxas e restrições comerciais.

O agronegócio acompanha principalmente produtos ligados à proteína animal, café, frutas e alimentos processados, segmentos nos quais os Estados Unidos têm peso relevante como mercado consumidor.

O temor do setor é que a investigação da Seção 301 acabe servindo como base para novas tarifas ou cotas de importação, sobretudo em áreas consideradas estratégicas pela política industrial americana.

Entidades do agro brasileiro defendem que um gesto concreto da reunião desta quinta-feira seria justamente a sinalização política de encerramento negociado da investigação.

3 – Aço e alumínio seguem pressionando custos industriais

Outro ponto sem solução envolve as tarifas americanas sobre aço e alumínio aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA.

As medidas não são direcionadas ao agronegócio, mas o setor industrial argumenta que elas acabam pressionando custos em cadeias ligadas à fabricação de máquinas, implementos e equipamentos agrícolas.

O impacto é indireto, mas relevante em um momento em que produtores brasileiros enfrentam juros elevados, crédito mais seletivo e margens pressionadas em várias culturas. Fabricantes acompanham as negociações porque uma distensão comercial entre os dois governos poderia reduzir incertezas sobre custos industriais ao longo de 2026.

4 – Brasil segue sob vigilância em propriedade intelectual

Outro ponto sensível para o agro apareceu poucos dias antes da reunião presidencial. No relatório Special 301 divulgado pelo USTR em 30 de abril de 2026, o Brasil foi mantido na chamada Watch List, lista de países monitorados pelos Estados Unidos em temas ligados à propriedade intelectual.

Para o agronegócio, os temas mais delicados envolvem proteção de patentes, biotecnologia, defensivos agrícolas e sementes geneticamente modificadas.

Empresas americanas historicamente pressionam por maior proteção regulatória e jurídica para inovação tecnológica no setor agrícola brasileiro.

A permanência do Brasil na lista não gera sanções automáticas, mas mantém pressão política permanente sobre o governo brasileiro em futuras negociações comerciais.

5 – Tarifas preferenciais e acordos comerciais seguem no radar

A investigação da Seção 301 também analisa acordos preferenciais firmados pelo Brasil com parceiros comerciais.

O governo brasileiro e entidades do agro defendem que esses acordos seguem regras multilaterais previstas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), incluindo dispositivos do GATT e da chamada Cláusula de Habilitação.

Representantes da CNA argumentam que medidas punitivas poderiam atingir cadeias produtivas inteiras e defendem uma agenda de cooperação entre os dois países em áreas como bioenergia, rastreabilidade e sustentabilidade agrícola.

O que o agro espera da reunião

Para analistas do comércio internacional, o principal resultado esperado pelo agro brasileiro é uma redução do nível de incerteza criado pela investigação americana.

Mesmo sem anúncio imediato de encerramento da Seção 301, um compromisso político de continuidade das negociações já seria interpretado pelo mercado como sinal positivo. O setor exportador acompanha o encontro com atenção porque qualquer escalada comercial entre Brasil e Estados Unidos pode atingir diretamente uma das áreas mais competitivas da economia brasileira.

Em 2025, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos fechou com um déficit de US$ 7,53 bilhões para o lado brasileiro, resultado de US$ 37,72 bilhões em exportações contra US$ 45,25 bilhões em importações. O agro respondeu por US$ 7,1 bilhões desse total enviado aos americanos, o que equivale a uma participação de 18,8% na pauta exportadora. Apesar do cenário de incerteza e das tarifas de até 50% em insumos como aço e alumínio, setores como o de carne bovina e café registraram crescimentos de 42,5% e 31,1%, respectivamente, o que mostra o peso estratégico destas cadeias mesmo diante de investigações comerciais e sobretaxas globais de 10%.

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