Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.
O agronegócio brasileiro exporta recordes. Mas quem garante que o país se alimente todos os dias opera em outra escala – e, para Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar, merece mais atenção do que costuma receber.
Os pequenos produtores rurais representam 77% dos estabelecimentos agropecuários do Brasil. São quase 4 milhões de propriedades, responsáveis por aproximadamente 23% do valor bruto da produção nacional – número que, sozinho, já seria expressivo. Mas o impacto real vai além: são eles que sustentam cadeias intensivas em mão de obra, abastecem mercados regionais e colocam alimentos essenciais nas mesas de mais de 213 milhões de brasileiros.
O volume financeiro é compatível com esse peso. O crédito rural direcionado à agricultura familiar supera R$ 59 bilhões por safra, com mais de 1,6 milhão de contratos ativos. As políticas públicas estruturantes já ultrapassam R$ 70 bilhões anuais. São cifras que confirmam a relevância do segmento e tornam ainda mais evidente a contradição que persiste.
Embora concentrem a maioria dos contratos de crédito rural, os pequenos produtores acessam uma fatia proporcionalmente menor dos recursos totais. Juros elevados e a ausência de um seguro rural eficaz ampliam os riscos de quem já está mais exposto às oscilações climáticas e às volatilidades de mercado. É uma equação desfavorável para quem sustenta a base do sistema.
Em São Paulo, o problema tem contornos ainda mais estratégicos. O pequeno produtor paulista está integrado às principais cadeias produtivas do estado, com presença consolidada em hortifrúti, leite e agroindústria. Cada propriedade funciona como um núcleo econômico ativo: gera emprego, movimenta serviços locais e fortalece cooperativas. É esse produtor que abastece os grandes centros urbanos e mantém a dinâmica das economias regionais.
Para Tirso Meirelles, fortalecer esse segmento não é pauta de inclusão social, é estratégia de competitividade. Um agronegócio mais resiliente passa, necessariamente, por diversificar sua base produtiva e reduzir as vulnerabilidades estruturais que ainda afetam quem opera na ponta do sistema.
O Brasil que lidera as exportações globais depende, cada vez mais, do Brasil que garante o abastecimento interno. Esse Brasil tem endereço, escala e protagonismo: é o pequeno produtor rural.
Responsáveis por abastecer 213 milhões de brasileiros, os pequenos produtores são a base do nosso sistema alimentar.
O post A Força Invisível Do Agro apareceu primeiro em Forbes Brasil.