15/04/2026

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Produção de etanol de milho saltará para 16 bilhões de litros até 2033

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O Brasil caminha para consolidar o milho como fonte de 9,97 bilhões de litros de etanol na safra atual, volume que representa quase 60% da meta projetada para a próxima década. Com 27 biorrefinarias em operação e 16 unidades em construção, o setor projeta alcançar 16,63 bilhões de litros até 2033. O avanço da infraestrutura e o impacto dos subprodutos no mercado de proteínas pautam os debates da 3ª Conferência Internacional Unem Datagro nesta quarta-feira (16), em Cuiabá (MT).

Os dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) revelam que a expansão do setor não se limita ao combustível, mas atinge a cadeia de alimentos através dos coprodutos. O foco atual das usinas é a eficiência no aproveitamento do grão, que gera também o DDG (grãos de destilaria), insumo de alta proteína para a nutrição animal.

A diversificação da matriz, que antes dependia majoritariamente da cana-de-açúcar, agora busca atender novas demandas globais, como o mercado de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). O movimento atrai investimentos voltados para a baixa intensidade de carbono, critério central para a exportação de biocombustíveis.

Valorização da cadeia produtiva

“Este avanço do etanol de milho ocorre dentro de uma lógica de complementaridade, fortalecendo tanto a segurança energética do Brasil quanto ampliando a oferta de DDG, o que beneficia toda a cadeia de nutrição animal. Trata-se de uma diversificação que reposiciona o país de forma ainda mais estratégica no cenário global de biocombustíveis e de alimentos”, analisa o presidente da Datagro, Plinio Nastari.

Além do aproveitamento energético, a viabilidade econômica das novas plantas depende da integração com a pecuária. O modelo de biorrefinaria permite que o milho seja transformado em combustível enquanto os resíduos sólidos são vendidos como ração, criando um ciclo de valorização que sustenta a competitividade internacional do país.

Para Guilherme Nolasco, presidente da Unem, esse modelo é o que garante a sustentabilidade dos novos projetos em construção. “A expansão do etanol de milho está diretamente associada à capacidade de geração de valor ao longo da cadeia, especialmente por meio dos coprodutos e da integração com outros setores produtivos”, reforça o executivo.

Especialistas presentes no encontro em Mato Grosso também discutem marcos regulatórios e o financiamento de novas tecnologias. A meta é elevar a eficiência ambiental do setor para garantir que o etanol brasileiro cumpra os requisitos internacionais de descarbonização.


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