14/04/2026

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Pulgão se espalha no milho e acende alerta para perdas na segunda safra

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Com o milho de segunda safra já em campo, especialistas e produtores acendem o sinal de alerta para um desafio que tem ganhado terreno de forma silenciosa: o avanço do pulgão. Frequentemente ofuscada pela preocupação com a cigarrinha, a praga pode causar perdas significativas e danos diretos à rentabilidade do agricultor, exigindo uma mudança na estratégia de manejo desde os primeiros estágios da lavoura.

O cenário é de atenção redobrada, especialmente após o encerramento da safra de soja. Em Uberlândia (MG), o agricultor Fredson de Sousa Correia colheu resultados positivos com a oleaginosa em seus 1,4 mil hectares, atingindo picos de 101 sacas por hectare em áreas irrigadas e médias acima de 80 sacas no sequeiro. “Trabalhamos e investimos para ter esse retorno satisfatório”, afirma o produtor.

Agora, o foco total está nos 600 hectares dedicados ao milho safrinha, onde o pulgão surgiu como a grande surpresa negativa da temporada. A estratégia tradicional de muitos produtores era iniciar o controle do pulgão apenas após o estágio V8. No entanto, a pressão atual da praga tem forçado a antecipação das aplicações para garantir a saúde da plantação.

Manejo antecipado é essencial

Segundo Fredson, a presença do inseto tem sido notada muito cedo. “Muito dano econômico desse pulgão por não estar fazendo esse controle antecipado. Temos milho em estágios menores ainda, V2 e V4, e vamos nos atentar a esse manejo. Esse pulgão alado é uma praga importante que vem tirando muita produtividade no campo”, explica o agricultor ao projeto Mais Milho.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O grande entrave do pulgão é a sua natureza “invisível”. Diferente de outras pragas que deixam danos físicos óbvios, como folhas deterioradas, o pulgão ataca de forma interna. Lídia Costa, RTV da Dekalb em Uberaba, ressalta que o agricultor muitas vezes só consegue contabilizar o prejuízo na hora de colher, o que dificulta ações imediatas.

“Para fazer uma boa avaliação de pulgão, você tem que fazer uma avaliação destrutiva. Tem que arrancar o pendão e tirar todas as folhas para ver o tamanho da colônia. Por isso, muitas vezes não é percebido. As perdas são muito significativas, podemos perder de 30% a 40% em casos extremos”, alerta Lídia.

Monitoramento e disseminação

A dificuldade de controle foi um dos temas centrais de um Dia de Campo promovido pela Bayer em Uberlândia. O evento reuniu cerca de 400 produtores para discutir o ressurgimento da praga. Guilherme Scalco, agrônomo de desenvolvimento da Bayer, explica que o pulgão é um problema antigo que acabou “esquecido” devido ao protagonismo da cigarrinha.

“Todos os danos eram creditados à cigarrinha. Quando conseguimos controlá-la de forma eficiente, abrimos os olhos para o que o pulgão está causando. Ele sempre esteve presente, mas agora está estourando em populações altíssimas”, analisa Scalco em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Dados de pesquisa indicam que, nos últimos cinco anos, o número de plantas contaminadas pela praga dobrou no campo.

As médias de infecção, que antes giravam em torno de 2,5%, saltaram para níveis que variam entre 10% e 20%. Um dos fatores que explicam essa explosão populacional é o clima e a biologia do inseto. O pulgão se reproduz por partenogênese, processo no qual a fêmea gera descendentes sem a necessidade de acasalamento.

Sintomas e recomendações técnicas

Para evitar a formação de colônias severas, a recomendação técnica é que o monitoramento comece assim que a planta emerge. No estágio V4, os adultos alados costumam chegar à lavoura e depositar ninfas dentro do cartucho do milho, local de difícil alcance para defensivos agrícolas convencionais.

Os sintomas do ataque incluem um raiado amarelado nas folhas superiores, redução no tamanho das espigas e até a morte prematura das plantas atingidas. “O primeiro passo é o monitoramento desde a instalação da lavoura. A partir do momento que tenho a presença do pulgão, tenho que usar produtos eficientes para não deixar essa colônia se formar”, orienta Scalco.

O uso de sementes tratadas para sugadores e a escolha de híbridos com maior tolerância à praga também compõem o pacote de soluções. Essas tecnologias visam proteger o potencial produtivo da segunda safra, garantindo que o investimento do produtor não seja consumido pela praga.

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