14/04/2026

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Agro Faz Recorde no Trimestre e Reforça Papel de Âncora do Superávit Brasileiro de 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta superávit de US$ 72,1 bilhões na balança comercial brasileira em 2026, com crescimento de 5,9% sobre o resultado de US$ 68,1 bilhões registrado em 2025. Divulgada nesta semana junto com os dados de março, a estimativa está próxima do piso da faixa anteriormente estimada pelo governo, entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.

O agronegócio, responsável por cerca de metade das exportações totais do país no ano passado, continua como pilar estrutural desse resultado, ainda que os primeiros meses de 2026 apontem para um desempenho menos uniforme do setor.

O cenário tem como pano de fundo um ano anterior robusto. Em 2025, o agronegócio atingiu US$ 169,2 bilhões em exportações, montante equivalente a quase metade das exportações totais do país, com crescimento de 3% em relação ao ano anterior. Foi o maior valor da série histórica. A corrente de comércio agropecuário, que é a soma de exportações mais importações, chegou a US$ 189,4 bilhões, e o saldo da balança comercial do setor encerrou o ano com superávit de US$ 149,07 bilhões.

2026: início forte, março em queda

O primeiro bimestre de 2026 manteve o ritmo. As exportações do agronegócio alcançaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro, o melhor resultado histórico para o mês, representando 45,8% de todas as exportações brasileiras no período.

Em comparação com fevereiro de 2025, o crescimento foi de 7,4%, impulsionado principalmente pelo aumento do volume exportado, de 9%. No mesmo período, as importações de produtos agropecuários totalizaram US$ 1,5 bilhão, queda de 9,1% em relação a fevereiro de 2025, resultando em superávit de US$ 10,5 bilhões para o setor no mês, resultado 10,3% superior ao do mesmo período do ano anterior

No último mês fechado, segundo a Secex/MDIC, a agropecuária exportou US$ 8,2 bilhões, uma leve alta de 1,1% em relação a março de 2025. Esses são dados parciais até a terceira semana do mês, do mesmo órgão, que apontavam queda de 13,4% na comparação com igual período do ano anterior, acumulando US$ 5,5 bilhões. O recuo no embarque de café respondeu por parte expressiva do resultado: as vendas do produto caíram 30,5% em março, atribuídas a desajustes nos cronogramas de embarque.

No acumulado de janeiro a março, o comércio exterior como um todo registrou desempenho positivo. As exportações totais foram US$ 82,338 bilhões, alta de 7,1%, enquanto as importações chegaram a US$ 68,2 bilhões, com avanço de 1,3%, gerando superávit de US$ 14,175 bilhões no primeiro trimestre, valor 47,6% superior ao do mesmo período de 2025.

Um ponto de atenção para o restante do ano é o mercado norte-americano. As vendas brasileiras para os EUA caíram 9,1% em março de 2026, numa sequência de oito recuos consecutivos nas exportações ao mercado norte-americano, em razão das tarifas adicionais impostas sobre produtos brasileiros. Em compensação, as exportações para a China cresceram 17,8% em março, somando US$ 10,490 bilhões.

Projeção oficial e riscos externos

No agronegócio, a estratégia de diversificação de mercados construída nos últimos anos segue como amortecedor. Em 2025, o setor consolidou a abertura de 525 novos mercados desde 2023, e a diversificação de produtos elevou as exportações de itens não tradicionais em cerca de 15%. A aposta para 2026 passa por sustentar esse alcance diante de um ambiente externo, com tensões geopolíticas, volatilidade de preços e protecionismo crescente.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilHerlon Brandão, diretor de estatística e Apoio às exportações na Secex

O MDIC projetou exportações totais de US$ 364,2 bilhões para 2026 e importações de US$ 292,1 bilhões, avanço de 4,6% e 4,2%, respectivamente, em relação a 2025. O diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior do MDIC, Herlon Brandão, reconheceu os riscos do ambiente internacional, mas sustentou a estimativa com base em indicadores domésticos.

“Sabemos que o cenário internacional tem desafios, mas pelas informações que temos até agora, olhando atividade econômica, axa de câmbio e consumo, os modelos apontam para esse resultado”, afirmou.

Brandão também defendeu a resiliência do comércio exterior brasileiro: “Por mais que tenha variações, olhando a direção e o patamar, observamos um comércio exterior brasileiro relativamente estável e resiliente a crises.”

As próximas projeções oficiais, mais detalhadas, serão divulgadas em julho pelo MDIC. O recorde histórico de superávit da balança comercial brasileira permanece em 2023, com US$ 98,9 bilhões. (Com Agência Brasil)

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