13/04/2026

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IA Não Planta, Mas Muda o Jogo no Agro

Em uma conversa informal, um amigo me falou sobre a relação entre a Inteligência Artificial (IA) e o agronegócio. Você já pensou que, em um futuro próximo, teremos robôs produzindo todo tipo de bens a um custo baixíssimo, mas tem algo que a IA não consegue alterar? O ciclo da natureza, o ciclo da vida, plantar, esperar chover, ver crescer até o ponto de colheita? Isto um robô nunca conseguirá fazer.

Coincidentemente, na semana passada saiu um relatório da Anthropic que mostra o impacto da IA sobre os diversos setores e profissões, o setor do agro é um dos menos impactados. Isto significa que podemos nos acomodar? Ao contrário, significa oportunidade de formar pessoas capazes de lidar com as ferramentas que virão, pois, como pontuado na minha coluna anterior, falta mão de obra especializada no agro.

A indústria pode produzir mil ventiladores por hora, mas não pode produzir arroz, feijão ou um belo corte de carne, mas atraves de pesquisa e tecnologia, telemetria e gêmeos digitais já são realidade. Vamos encurtar ciclos de produção, com edição gênica, bioinsumos de alta performance, microbiologia do solo.

Em um mundo em que robôs produzem tudo a um custo baixíssimo, você pode estar se perguntando, o que não pode ser produzido por um robô? Alimentos, biodiversidade, cultura, bem-estar e experiências não podem ser produzidos.

A inteligência artificial já chegou nas fazendas, mas não de forma estruturada, como diz meu amigo, ela chegou pelo celular de cada funcionário, um usando uma plataforma, outro usando outra. A administração tem que enxergar a realidade e liderar a adoção estruturada da nova onda de ferramentas.

Nas propriedades temos dezenas de processos internos que são repetitivos, manuais e propensos a erro. Muitos deles podem ser automatizados com ferramentas que já existem e são acessíveis. Não estou falando de robô no campo, estou falando de otimizar o trabalho e diminuir erros no escritório, no almoxarifado, na gestão.

O valor não estará só na produção, estará também na biodiversidade, nos dados e na narrativa. A prioridade do produtor rural hoje é dominar dados da sua operação e investir pesado em gente.

As decisões serão baseadas na média histórica e na intuição, assim como em modelos preditivos e dados reais. A mão de obra será focada no esforço físico e na operação, além de se concentrar na análise de sistemas e no monitoramento. A visão da terra incluirá suporte para o crescimento das plantas, atuando como um dreno de carbono e reserva de biodiversidade. No mercado, haverá a transição de vendedor de commodities brutas para vendedor de alimentos com selo de sustentabilidade.

*Helen Jacintho é engenheira de alimentos e produtora rural com mais de 20 anos de atuação no agronegócio na Fazenda Continental e Regalito. Diretora de Melhoria Contínua, ela é responsável por implementar a filosofia Lean de gestão no campo

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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