19/05/2026

19/05/2026

Search
Close this search box.

Neozelandesa Chega Ao Uruguai com US$ 100 Milhões

FU_Divulg

Colheita de floresta plantada no Uruguai

Acessibilidade







O Ministério da Economia e Finanças (MEF) do Uruguai declarou, por meio da Comissão de Aplicação da Lei de Investimentos (COMAP), a promoção de um projeto de investimento apresentado pela empresa neozelandesa Claymark no valor de 632.110.879 unidades indexadas, equivalentes hoje a US$ 102,8 milhões (cerca de R$ 545,5 milhões), segundo o documento assinado em 5 de novembro pelo ministro da Economia e Finanças, Gabriel Oddone, e pela ministra da Indústria, Energia e Mineração, Fernanda Cardona. O objetivo, detalha o texto, será instalar uma planta voltada a processos de serraria e remanufatura de alta tecnologia.

Se o investimento for concretizado, a indústria florestal totalizaria assim um novo jogador global, a maior fabricante e exportadora de produtos de pinus premium da Nova Zelândia.

A Claymark se apresenta em seu site corporativo como uma companhia “synonymous with quality” (sinônimo de qualidade), com sete plantas na Ilha Norte da Nova Zelândia e mais de 600 funcionários dedicados à produção de pinus podado (pruned logs) e à fabricação de produtos arquitetônicos de alta gama. Sua chegada ao Uruguai teria como objetivo replicar um modelo baseado em maquinário de última geração e processos de manufatura que lhe permitem competir em mercados internacionais.

Embora a empresa ainda não tenha comunicado oficialmente a localização da planta nem o cronograma de início de operação, fontes do setor indicam que o projeto seria integrado a uma cadeia de suprimentos já existente no norte do país.

Em conversa com a Forbes Uruguai, Carlos Faroppa, ex-diretor-geral florestal do MGAP até fevereiro de 2025, afirmou que a iniciativa “se encaixa em uma tendência de investimentos industriais avançados que o setor vem recebendo nos últimos anos”.

Ele mencionou como antecedentes as instalações da Lumin em Melo (um investimento de cerca de US$ 135 milhões, aproximadamente R$ 716,3 milhões), o projeto Urufor e a operação da Arboreal, assim como a chegada de fundos japoneses que adquiriram 41.000 hectares de campo em Tacuarembó e Rivera em 2024, além da instalação das já conhecidas plantas de celulose.

Faroppa observou que, embora não tenha participado do projeto em sua gestão, a escala do investimento e o destino aprovado pela COMAP apontam para uma operação de alto valor agregado e com potencial de geração de emprego.

Fontes próximas à companhia disseram à Forbes Uruguai que o projeto da Claymark começou a ser gestado há pelo menos três anos, durante a administração de governo anterior.

Segundo essa fonte, a empresa chegou a ter um representante oficial no país e a solicitar estudos de viabilidade ambiental, porém, diante da demora do processo, o interesse da empresa teria esfriado. A Forbes Uruguai tentou entrar em contato com porta-vozes da Claymark, mas até o momento não obteve resposta.

Segundo o último relatório elaborado pela Uruguay XXI sobre o setor florestal no Uruguai (março de 2025), ele se consolidou como um dos motores mais dinâmicos da economia uruguaia. Desde a Lei Florestal (1987), as plantações se multiplicaram e, em 2024, a área plantada é estimada em 1,16 milhão de hectares (6,6% do território), com quase 4.000 empresas diretamente vinculadas e cerca de 18.000 empregos diretos.

A celulose se estabeleceu como o principal produto de exportação do setor (as vendas do complexo florestal alcançaram US$ 3,007 bilhões, cerca de R$ 16,0 bilhões, em 2024, tendo China e União Europeia como destinos principais), o que reflete tanto maiores volumes quanto o efeito da entrada em operação da segunda planta da UPM.

Na cadeia produtiva convivem a cadeia de celulose, a primeira e a segunda transformação mecânica e a geração de energia a partir de biomassa. O parque florestal é dominado por eucaliptos (72% da área plantada) e pinus (19%), o que explica a força em celulose e o crescimento de produtos de madeira serrada e painéis.

A operação de grandes complexos (UPM, Montes del Plata) explica a elevada capacidade de produção de celulose (com plantas que consomem milhões de toneladas de madeira por ano), enquanto as serrarias e plantas de segunda transformação (CLT, plywood) estão impulsionando a diversificação para maior valor agregado.

Segundo o relatório, existe matéria-prima certificada e capacidade ociosa para expandir indústrias de maior valor (madeira estrutural, painéis compensados, CLT) e uma integração crescente com a geração de energia com biomassa.

Ao mesmo tempo, a expansão para novos territórios foi moderada nos últimos anos e o setor enfrenta o desafio de estimular a demanda local e continuar atraindo investimentos orientados à segunda transformação (exemplos recentes são os investimentos da Lumin, Arboreal e aquisições internacionais) que buscam elevar o valor exportado e criar mais empregos locais de qualidade.

 

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Imea estima crescimento de 55,39% no número de bovinos confinados em 2026

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso Mato Grosso deve confinar mais de 1,443 milhão de…

Dólar sobe com exterior e mercado acompanha pesquisa eleitoral

O dólar operava em alta leve nesta terça-feira (19), acompanhando o fortalecimento da moeda americana…

Governo anuncia R$ 12,5 milhões para agricultura familiar no Rio Grande do Norte

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, deve anunciar nesta terça-feira (19),…