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Imagine uma fazenda. O que você vê? Se é como a maioria das pessoas que está três ou mais gerações distante da agricultura e pecuária, provavelmente está pensando em um barracão com um velho trator a diesel de dois tempos soltando fumaça preta e, em algum lugar ali perto, um produtor usando jeans, botina e segurando um focado, aquele garfo de pegar capim ou esterco.
Agora, vamos trazer você para o presente, porque isso que acabou de imaginar é uma fazenda do avô do seu avô, ou de algum conhecido lá de antigamente.
Substitua o forcado por um iPad; o velho motor de dois tempos por um trator sem cabine operando sem motorista; e o barracão por uma estação de experimentos de ponta onde trabalham cientistas e engenheiros que inovam no mesmo nível de algumas das mentes mais brilhantes do mundo. É uma cena impressionante.
A maioria das pessoas não visualiza a versão sustentável da produção agrícola e pecuária movida por autonomia, sensores, dados e ciência, um descompasso de percepção documentado por diversos estudos. Elas enxergam a versão nostálgica, consagrada em canções infantis e livros de colorir da escola. Como a cantiga de roda tradicional americana chamada “Old MacDonald Had a Farm”, atribuída a Thomas d’Urfey para uma ópera de 1706 – que no Brasil foi popularizada como Seu Lobato, da Galinha Pintadinha –, e que começa assim: “seu Lobato tinha um sítio, ia, ia ohh”.
A verdade é que a agropecuária hoje é conduzida por programadores, pilotos de drones, mecânicos e analistas de dados tanto quanto por agrônomos e operadores de máquinas. A fazenda do futuro já está aqui, centrada em sistemas autônomos habilitados por I.A., dados de satélite e inovação em precisão que rivaliza com os centros de pesquisa mais avançados do mundo.
Um exemplo? Localizada nos arredores de Casselton, no estado americano de Dakota do Norte, em uma comunidade de apenas 2.500 habitantes, uma inovação agrícola está ganhando forma por meio de uma organização chamada Grand Farm.
Seu Innovation Campus garante que estudantes, educadores e líderes da indústria de todo o mundo criem conexões profundas com a terra, e uns com os outros, por meio de experiências práticas que ligam automação, robótica e inteligência artificial. É um lugar em que inovadores estão prontos para se adaptar com a mesma engenhosidade e espírito de futuro que sempre impulsionaram a fazenda.
O Centro Original de CTE
Muito antes de robótica e inteligência artificial fazerem parte da conversa, as fazendas ofereciam a oportunidade original de aprendizagem baseada no trabalho.
No início dos anos 1900, quase metade de todos os americanos vivia em fazendas, e a maioria das crianças contribuía diariamente para as operações da família. No Brasil, até os anos 1950 o país ainda era majoritariamente rural, com mais de 80% da população ainda no campo ou em localidades com menos de 20 mil habitantes. Ao longo dos anos 1960 ocorre a virada, e em 1970 o país já aparece como predominantemente urbano.
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Delegação internacional conhece o drone autônomo da Pyka no Grand Farm Innovation
Nessa época, a vida na fazenda e o que se podia aprender era consertar máquinas, avaliar a umidade do solo, calibrar misturas de fertilizantes ou resolver problemas de uma bomba de irrigação que se recusava a cooperar. “Aprendizagem baseada em projetos” não era um conceito novo, era o cotidiano essencial que exigia habilidade, intuição e desenho experimental.
Ainda assim, a vida na fazenda nunca foi fácil. E ao longo do tempo a profissão veio perdendo prestígio de forma constante, marcada por uma queda significativa ao longo do último século, apesar do aumento contínuo da demanda por produção de alimentos.
A perda de mão de obra, ao lado da crescente demanda por alimentos, acelerou de forma intensa a inovação agrícola. Infelizmente, a percepção pública do setor permaneceu presa ao passado. Um estudo acadêmico publicado em 2023 em periódico da editora científica Multidisciplinary Digital Publishing Institut (MDPI) concluiu que a agricultura e pecuária ainda são percebidos como um setor de “baixo status”. A Grand Farm tem a missão de mudar isso.
Inovação na agricultura no século 21
A fazenda sempre foi um espaço em que ciência aplicada encontra empreendedorismo. Desde os primeiros sistemas de irrigação e da química do solo até os primeiros arados e tratores mecânicos, os produtores rurais foram engenheiros muito antes de isso ser um diploma universitário.
A Grand Farm representa o legado desse espírito inventivo, canalizando a mesma curiosidade e impulso que levavam produtores rurais a construírem suas próprias ferramentas. São 58 hectares, e as instalações reúnem um campo de testes para empreendedores, suporte a projetos de pesquisa e desenvolvimento públicos e privados voltados ao avanço da agricultura de precisão com uso de tecnologias autônomas, salas equipadas para uso de ferramentas digitais, oficinas de inovação para prototipagem e uma área de demonstrações com pista de terra para apresentações e testes de equipamentos autônomos e pesados.
Dentro de seu Innovation Shop de 2.300 metros quadrados, a Grand Farm colabora e apresentar tecnologias de agricultura de precisão de próxima geração, incluindo de sistemas de detecção acionados por I.A. e drones equipados para atingir plantas daninhas específicas até tratores autônomos e plantadeiras robóticas capazes de precisão de centímetros, além de sensores de solo e umidade habilitados por Internet das Coisas (IoT) que alimentam continuamente dados em análises baseadas em nuvem para tomada de decisão em tempo real.
Nesse ambiebte, o ponto em que tudo fica realmente empolgante é perceber o quanto a percepção pública está errada. A agricultura não está atrás da tecnologia moderna. Ela está na dianteira.
Enquanto você usa a nuvem para fazer backup de fotos de família, produtores carregam terabytes de imagens de satélite, dados de solo e telemetria de máquinas para treinar modelos de I.A. capazes de prever produtividade e otimizar insumos antes mesmo de o plantio começar.
Enquanto você aproveita a tecnologia de assistência ao motorista do seu carro, colheitadeiras totalmente autônomas e tratores sem motorista já operam em fazendas, plantando e colhendo culturas que se tornam alimentos básicos na sua cozinha.
A Grand Farm também está na linha de frente da integração de inteligência artificial à agronomia e à gestão ambiental e está cultivando a própria conscientização, conectando estudantes, educadores e indústria por meio de experiências práticas que substituem percepções ultrapassadas por conhecimento direto.
Milhares de estudantes e educadores já interagiram com a Grand Farm em visitas ao campus, eventos e programas, em representação de mais de 100 organizações que vivenciaram autonomia e I.A. em ação.
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Visita da secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins à Grand Farm
Em apenas dois anos, a Grand Farm recebeu parceiros e visitantes de mais de 26 países, com apoio de parceiros como o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) , Microsoft, Google e dezenas de outros agentes de mudança globais. Em abril, por exemplo, estavam na unidade a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, o senador norte-americano John Hoeven e membros da administração da Grand Farm ouvindo representantes do Serviço de Pesquisa Agrícola do USDA sobre a colaboração da unidade com as agtechs.
À medida que a Grand Farm e seus parceiros produzem sistemas autônomos habilitados por I.A. que serão a próxima onda de inovação em agricultura, uma coisa se torna visível: esta fazenda não é uma cantiga infantil nostálgica, é um projeto para a próxima geração de trabalhadores do campo, que vão se enxergar não como espectadores que pensam que a comida vem do supermercado, mas como realizadores que inventam e aplicam sistemas tecnológicos preparados para alimentar o mundo.