16/04/2026

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Jai Shroff, da UPL, Vê o Brasil Como Eixo Global da Bioeconomia

Gustavo Meca/UPL

O indiano Jai Shroff, CEO Global da UPL

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O CEO global da indiana UPL, fabricante de defensivos e biotecnologia agrícola, Jai Shroff, desembarcou no Brasil com uma agenda intensa para a COP30, evento que segue até a próxima sexta-feira (21). Mas antes de dar as caras em Belém, no primeiro dia da conferência global (10), onde participaria de encontros técnicos sobre agricultura sustentável, o executivo foi um dos 800 convidados VIP da Forbes Brasil, na The Party, para celebrar os 13 anos da revista, realizada em São Paulo (7).

Nesse final de semana, Shroff deixou brevemente Belém e viajou para São Paulo, de onde seguiu para a Colômbia para reuniões com equipes da UPL e produtores locais. No entanto, o executivo deve retornar ainda nesta semana para novos compromissos na COP. “Foi a primeira vez que visitei Belém. É uma cidade grande e muito rica. Dá para notar isso pelos prédios”, diz.

A UPL, com sede em Mumbai, registrou resultados robustos em 2025. A receita global atingiu 466,4 bilhões de rúpias indianas (R$ 29,85 bilhões, conforme a cotação atual), crescimento de 8% impulsionado por volumes maiores em proteção de cultivos, sementes e especialidades químicas.

No Brasil, a UPL registrou receita operacional líquida de R$ 5,85 bilhões em 2025, contra R$ 5,21 bilhões em 2024, alta de 11,98%. Com o resultado, o país responde por cerca de 20% dos negócios globais da companhia.

E por ter tanta representatividade, a segunda passada pela cidade que sedia a COP tem um motivo especial para o executivo.

“Nesta COP, diferentemente das edições anteriores, o agronegócio ganhou mais peso. O setor tem sido o grande destaque por discutir inovações e soluções para sanar os desafios da mudança climática”, afirmou Shroff.

A agro como solução climática e não o vilão

UPL

Gustavo Meca/UPL

Shroff segura camiseta da campanha “#AFarmerCan”

Em Belém, Shroff defendeu um ponto central: a agricultura precisa ser reconhecida como parte da solução climática, e não apenas como fonte de emissões.

O executivo afirma que o maior desafio global é criar sistemas confiáveis de medição do carbono no solo, de forma que o produtor seja remunerado pelo sequestro.

“É algo que sentimos que alguém precisa assumir, e ninguém está aceitando esse desafio de contar a história do que a agricultura pode fazer.”

Shroff explica que mensurar carbono agrícola é muito mais complexo do que mensurar emissões de setores industriais:

“A agricultura é diferente. Não é só ser difícil de medir, é complexo. No Brasil você tem grandes agricultores; na África, por exemplo, eles são essencialmente pequenos. Ainda há diferenças entre eles, dependendo da lavoura. Um produtor de arroz não é o mesmo que um de milho, ou de cacau.”

Ele reforça que a transformação só virá com incentivos financeiros. “Se pudermos criar valor a partir do carbono negativo, isso gera mais renda para o agricultor, e, a partir de então, você verá uma transformação maciça ocorrer.”

Não é à toa que, justamente dias antes de estar em Belém, Shroff lançou a campanha global UPL “#AFarmerCan” (“Um Fazendeiro Pode”, na tradução livre), para celebrar os agricultores como heróis do clima. “Ele o herói que você não sabe que precisa”, diz o executivo.

Ele faz um apelo aos líderes globais para reconhecerem o papel fundamental desses profissionais na construção da resiliência climática.

Produtividade e carbono negativo está no horizonte do agro

Segundo Shroff, os produtores passaram a ter uma dupla meta inédita: aumentar produtividade e, ao mesmo tempo, ser carbono negativo. A UPL tem investido fortemente em inovação científica para viabilizar esse salto.

“A pauta número um do agricultor era aumentar produtividade. Agora dizemos: aumente produtividade e seja carbono negativo.”

Uma das descobertas mais importantes, segundo pesquisas da UPL e da Embrapa, é a correlação direta entre carbono no solo e rentabilidade. “Descobrimos que 1% de aumento no carbono do solo aumenta mais de 10% a produtividade.”

Este exemplo tem a ver com tecnologias que melhoram a atividade dos microrganismos que estão presentes no solo. E é a partir da ajuda deles, que nutrientes como o fósforo se torna mais disponível para absorção da planta, o que leva, consequentemente, a maiores ganhos de produção.

Combater o desperdício é tão importante quanto produzir

Shroff vê o desperdício como um dos maiores desafios globais. Um gargalo que reduz renda do produtor e aumenta custos do varejo.

A UPL investe em soluções pós-colheita para minimizar a redução de perdas, como tratamentos químicos para controle de pragas e microorganismos em grãos e frutas frescas, além de desenvolver sistemas de inteligência artificial para monitorar as unidades de armazenagem.

Estamos desenvolvendo IA em silos. Isso é novo. Nossa meta é reduzir desperdício e melhorar renda do produtor.”

Brasil no centro da bioeconomia global

Shroff vê o Brasil como laboratório mundial de agricultura sustentável, destacando o plantio direto, o etanol e o avanço do combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês).

“Daqui a 10 anos, carbono negativo será prática normal, como hoje é o plantio direto. O Brasil é líder em produção de alimentos e energia renovável.”

A companhia aposta na diversificação da safrinha com cultivos mais resilientes como o sorgo (que pode substituir o milho) e a canola, que está sendo testada em novos híbridos em várias regiões. “Estamos no caminho certo para dobrar a adaptação de tecnologias para o mercado brasileiro.”

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