20/05/2026

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Projeto vai ajudar a repor 500 milhões de litros de água em São Paulo

Victor Moriyama/Getty Images

Vista aérea de parte do Sistema Cantareira que fornece água para a cidade de São Paulo

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A segurança hídrica na maior potência econômica da América Latina, São Paulo, está no centro de uma nova fronteira de investimento. Enfrentando o estresse hídrico causado pelas mudanças climáticas e o crescimento urbano acelerado, a metrópole recebe um impulso estratégico do setor privado: a Amazon, com vendas líquidas de US$ 638 bilhões (R$ 3,39 trilhões, conforme cotação atual) em 2024, anunciou dois projetos que, combinados, devem ajudar a repor mais de 500 milhões de litros de água anualmente na região.

O movimento da multinacional de tecnologia demonstra a urgência em tratar a crise da água como um desafio complexo que ameaça a saúde humana, o crescimento econômico e a viabilidade dos ecossistemas. Uma pauta que está totalmente alinhada com as discussões na COP30.

A colaboração do setor privado é crucial para solucionar desafios ambientais que se intensificam com a expansão urbana.

“Esses investimentos em São Paulo representam nosso compromisso em sermos bons gestores de água no Brasil, apoiando tanto soluções baseadas na natureza quanto tecnologia inovadora para endereçar os desafios hídricos,” afirma Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil.

Reconstruindo a infraestrutura hídrica natural

Amazon

Divulgação/Amazon

Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil

O primeiro projeto foca em uma solução comprovada no campo, com a restauração florestal. Em colaboração com a Fundação SOS Mata Atlântica, o objetivo é investir em 44 hectares de floresta nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí e Sorocaba. Essas bacias são vitais, mas enfrentam poluição, contaminantes e escassez.

“À medida que expandimos nossas operações e crescemos nossa presença em todo o Brasil, nossas responsabilidades com o país e suas comunidades crescem em paralelo. Trabalhando com organizações locais, podemos ajudar a construir sistemas hídricos mais resilientes que beneficiem comunidades, empresas e ecossistemas,” diz Juliana.

A estratégia será o plantio de 110 mil árvores nativas em Áreas de Preservação Permanente (APPs). Essa restauração florestal é um investimento direto na infraestrutura hídrica natural, replicando o sucesso já visto em áreas como Joanópolis, onde o plantio de 29 mil árvores contribuiu significativamente para a segurança hídrica local.

“Quando restauramos a cobertura florestal nativa em áreas críticas de bacias hidrográficas, estamos essencialmente reconstruindo a infraestrutura hídrica da natureza,” destaca Rafael Bitante Fernandes, Gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

Uma vez concluído, espera-se que essa iniciativa ajude a reabastecer 144 milhões de litros de água anualmente.

IA no combate à perda de água

O segundo projeto ataca a ineficiência. A perda de água devido a vazamentos apresenta um desafio crítico, com estimativas indicando que 37% da água no Brasil, em média, nunca chega aos consumidores pretendidos.

Em coordenação com a SABESP, que atende 28 milhões de pessoas, a Amazon utiliza a vanguarda tecnológica. A parceira Aganova emprega sua tecnologia Nautilus, que usa detecção acústica de vazamentos com Inteligência Artificial (IA) desenvolvida na nuvem da AWS.

A solução é um exemplo de como a Agricultura Digital se expande para a gestão de recursos urbanos, oferecendo ganhos de eficiência que métodos tradicionais não conseguem igualar.

A tecnologia Nautilus, alimentada pela computação em nuvem da AWS, analisa dados acústicos instantaneamente para identificar a localização exata de vazamentos ocultos. O projeto deverá economizar cerca de 210 milhões de litros de água por ano.

“Nossa tecnologia Nautilus, alimentada pela computação em nuvem da AWS, ajuda a SABESP a detectar esses vazamentos ocultos em tempo real, garantindo que mais água chegue às comunidades que mais precisam,” afirma Marcos Barrera, CEO da Aganova.

O olhar global da Amazon na gestão de recursos

A iniciativa de São Paulo se insere em uma estratégia global mais ampla. A Amazon já colabora com a clima-tech Kilimo no Rio Tietê e anunciou mais de 30 projetos de reabastecimento de água globalmente.

Esses projetos devem retornar mais de 15 bilhões de litros de água anualmente, o que equivale a encher 6.000 piscinas olímpicas. Internamente, a empresa também reforça o compromisso: dois de seus centros de dados no Brasil já coletam água da chuva.

O investimento no reabastecimento de água demonstra que a resiliência hídrica é um ativo de valor crescente no balanço das grandes corporações, definindo o novo padrão de gestão e responsabilidade na maior potência econômica da América Latina.

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