19/05/2026

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Entenda o que causou o tornado com ventos acima de 300 km/h que destruiu cidade no Paraná

O tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, no último fim de semana, foi preliminarmente classificado como F4, com ventos que podem ter superado os 300 km/h. A avaliação é do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller

“É comum termos ciclones extratropicais e até formação de tornados no Sul do Brasil. O que é raro é um tornado dessa magnitude atingir diretamente uma área urbana. Quando isso acontece, o estrago é praticamente inevitável”, afirmou.

Segundo Müller, a formação do tornado está relacionada à presença de tempestades supercélulas inseridas dentro do sistema associado ao ciclone extratropical que atuava na região.

“Essas supercélulas são tempestades muito organizadas e com rotação interna. Elas têm capacidade de produzir ventos extremos e gerar tornados”, explicou. “Nossas estimativas apontam para um F4, o que significa rajadas passando dos 300 km/h. Com essa intensidade, quase nada permanece de pé.”

Diferença entre os fenômenos

Para reduzir confusões comuns, Müller reforçou a diferença entre tornado, ciclone extratropical e furacão:

“O tornado é aquele funil que toca o solo e causa destruição numa faixa estreita. A gente consegue ver a estrutura dele. Já o ciclone extratropical é um sistema muito maior, que aparece nas imagens de satélite com aquele formato de vírgula. E o furacão depende de águas quentes para se formar e é outro tipo de sistema.”

Alertas

O meteorologista também destacou que alertas para tempestades severas estavam ativos antes do fenômeno tocar o solo.

“Havia uma área de risco indicada. Quando falamos em área de risco, não significa que o tornado vai acontecer exatamente ali, mas que há potencial. A população tem que estar atenta quando esse tipo de alerta é emitido”, afirmou.

Segundo Müller, a comunicação do risco ainda é um desafio no Brasil. “A informação precisa chegar às pessoas antes, não depois da tragédia. Grande parte do trabalho é educativo. Muita gente só lembra da meteorologia quando a desgraça acontece, e prevenção salva vidas”.

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