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Em uma das regiões mais biodiversas, e desafiadoras, do planeta, a Natura e a Siemens estão testando um novo modelo de inovação: o encontro entre tecnologia de ponta e saberes tradicionais da floresta. O projeto “Moiru”, lançado oficialmente em novembro, propõe digitalizar processos produtivos em comunidades amazônicas, levando automação, simulação e inteligência de dados para agroindústrias que até então operavam de forma majoritariamente analógica.
O nome, que em tupi significa “ajuda mútua”, traduz o espírito da iniciativa. A Natura, com mais de 25 anos de atuação na Amazônia, aporta o conhecimento científico sobre a sociobiodiversidade e suas relações com as comunidades locais. Já a Siemens, dentro de sua plataforma Tech4Amazonia, traz as ferramentas da Indústria 4.0 — da automação à criação de gêmeos digitais — para otimizar e tornar mais sustentável a cadeia de produção de óleos essenciais.
O projeto teve início na Cooperativa de Campo Limpo, em Santo Antônio do Tauá (PA), e já começa a gerar resultados concretos. A partir de uma escuta ativa das dificuldades enfrentadas pelos produtores, a Siemens desenvolveu um gêmeo digital da dorna de extração, simulando o comportamento físico e químico do processo de produção com base em modelagens computacionais (CFD). Sensores e válvulas inteligentes foram instalados para permitir controle remoto e coleta de dados em tempo real, elevando a precisão e a eficiência das operações.
“Estamos às vésperas da COP30 e seguimos focados em desenvolver e compartilhar boas práticas que promovam o desenvolvimento local sustentável”, diz Rômulo Zamberlan, diretor de Pesquisa Avançada da Natura. “Com as novas ferramentas, temos uma extração de óleo essencial mais eficiente e com maior rentabilidade para a comunidade. Essa iniciativa é um viabilizador para outros ganhos em novos desenvolvimentos que poderão ser realizados com o aparato criado.”
Os resultados iniciais são promissores: a digitalização trouxe redução significativa no consumo de energia e de água, diminuindo a pegada ambiental da produção e abrindo espaço para uma nova geração de bioingredientes com menor impacto ambiental.
Além do ganho produtivo, o “Moiru” também inaugura um modelo replicável de inovação regional. Os dados gerados pelos sensores são analisados pelos cientistas da Natura — agora com o apoio de ferramentas de inteligência artificial — para aprimorar processos e desenvolver novas formulações a partir da biodiversidade amazônica.
Para José Borges Frias, Head de Inovação da Siemens Brasil, a iniciativa mostra como a tecnologia pode ser um elo entre propósito e impacto:
“Ao aplicar soluções de automação, simulação e inteligência de dados em um contexto tão singular como o da Amazônia, estamos não apenas otimizando processos, mas cocriando um modelo de desenvolvimento sustentável e escalável. O projeto Moiru é um exemplo claro de promoção da inovação com impacto regional, fortalecendo o papel da tecnologia como aliada da bioeconomia.”
A iniciativa está diretamente alinhada à criação do futuro Centro de Inovação da Natura em Benevides (PA), que deve se tornar um polo de pesquisa e desenvolvimento voltado à bioeconomia amazônica. O “Moiru”, nesse contexto, é mais do que um projeto tecnológico — é um laboratório vivo de como a digitalização pode impulsionar a produtividade, gerar renda e, ao mesmo tempo, preservar o ecossistema que torna tudo isso possível.