19/05/2026

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Por Que Trump Culpa os Estrangeiros Pelos Altos Preços da Carne Bovina nos EUA

Cappi Thompson_Getty

Carne moída atingiu em setembro o recorde histórico de US$ 6,32 por libra — o equivalente a R$ 80,90 por quilo

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O presidente Donald Trump terminou a semana passada culpando, no final da sexta-feira (7), o aumento dos preços da carne bovina por processadoras de carne de propriedade estrangeira, instruindo o Departamento de Justiça (DOJ) a investigar alegadas manipulações de preços — movimento que ocorre pouco depois de receber críticas de republicanos por apoiar um plano que visava reduzir o preço doméstico da carne bovina por meio do aumento das importações de carne com tarifas baixas vindas da Argentina.

Os principais fatos

Trump afirmou em uma publicação na Truth Social que pediu ao DOJ para investigar empresas estrangeiras de processamento de carne que ele acusou de “conluio ilícito, fixação e manipulação de preços”, embora não tenha apresentado provas para sua alegação.

Ele afirmou que as processadoras de carne com maioria de capital estrangeiro inflacionam os preços “e colocam em risco a segurança do abastecimento alimentar do nosso país”, acrescentando que pediu ao DOJ “para agir com rapidez”.

De acordo com o Bureau of Labor Statistics, o preço da carne moída atingiu em setembro o recorde histórico de US$ 6,32 (R$ 36,70) por libra — o equivalente a R$ 80,90 por quilo —, um aumento de 11,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O custo dos bifes crus também alcançou um recorde histórico no último mês, segundo dados do Bureau, chegando a US$ 12,62 (R$ 73,30) por libra — o equivalente a R$ 161,60 por quilo —, um aumento de 12,7% em relação ao ano passado.

O governo Trump anunciou no mês passado planos para quadruplicar as importações de carne bovina argentina a fim de reduzir os preços nos Estados Unidos, o que provocou críticas e preocupação entre pecuaristas e parlamentares republicanos, que temem que a medida prejudique a demanda doméstica.

O que os grupos de pecuaristas disseram sobre o plano de Trump de aumentar as importações de carne argentina?

O CEO da National Cattlemen’s Beef Association, Colin Woodall, expressou preocupação de que a entrada da carne argentina no mercado interno pudesse prejudicar agricultores e pecuaristas, afirmando em comunicado que o plano “só cria caos”.

O presidente da United States Cattlemen’s Association, Justin Tupper, fez coro a Woodall, dizendo que um acordo com a Argentina poderia inundar o mercado com importações que “minariam os produtores de gado dos Estados Unidos” e “reduziriam os preços para os pecuaristas familiares”.

Quem abastece o mercado de carne bovina nos EUA?

Trump não especificou quais empresas seriam alvo da investigação do DOJ.  Mas os hermanos não são os tradicionais vendedores de carne aos EUA, embora nesse momento faça um “afago” ao país.

Dados históricos do Economic Research Service (ERS) do USDA mostram uma tendência forte de expansão das importações de carne bovina pelos Estados Unidos na última década. No período de 1990 a 2024  ocorreu um aumento significativo das importações – uma curva ascendente acentuada a partir de 2020 – , com os volumes importados ultrapassando sucessivamente os recordes anteriores.

Após um longo período de estabilidade em torno de 3 bilhões de libras (1,36 milhão de toneladas) anuais, o país passou a registrar aumentos expressivos — primeiro em 2023 e novamente em 2024, quando as importações alcançaram 4,635 bilhões de libras (2,10 milhões de toneladas), o maior volume já registrado.

O avanço é fruto da combinação de três fatores: menor oferta doméstica de gado, demanda aquecida por carne para processamento e competitividade dos fornecedores da Oceania e da América do Sul.

Os principais fornecedores de carne bovina aos EUA em 2024

Os dados operacionais do Agricultural Marketing Service (AMS/USDA) mostram que o mercado importador nos EUA foi dominado por sete grandes fornecedores:

  • Canadá – 674 mil t (32,7 %)
  • Austrália – 412 mil t (20,0 %)
  • México – 236 mil t (11,4 %)
  • Brasil – 201 mil t (9,7 %)
  • Nova Zelândia – 201 mil t (9,7 %)
  • Uruguai – 80 mil t (3,9 %)
  • Nicarágua – 50 mil t (2,1 %)

Os dados de 2024 mostram a crescente dependência dos Estados Unidos de carne bovina importada, com a maior parte do volume concentrada em parceiros comerciais tradicionais e geograficamente estratégicos. Canadá e México mantêm posição de destaque pelo acesso preferencial via acordos regionais, enquanto Austrália, Brasil e Nova Zelândia ampliaram espaço pela oferta competitiva de carne industrial e congelada.

Outro viés para 2024 foi a composição atual apontando que o mercado norte-americano está mais diversificado em termos de origem, mas também mais vulnerável a variações externas, seja por flutuações cambiais, restrições sanitárias ou disputas comerciais.

No Canadá, as vendas são frutos da forte integração entre os dois mercados e da equivalência de padrões sanitários. Entre as empresas que lideram os embarques estão a JBS Food Canada Inc., sediada em Brooks, a Harmony Beef Company Ltd., localizada em Alberta, e a Qu’Appelle Beef, de Saskatchewan.

Na Austrália, que ampliou suas vendas com a redução do rebanho americano, destacam-se a Thomas Foods International e a Teys Australia, frigoríficos com forte presença no comércio internacional e estrutura consolidada de distribuição nos Estados Unidos.  No México, o protagonismo é da SuKarne, maior produtora de proteína animal do país, que abastece os norte-americanos com carne congelada e produtos voltados à indústria de processamento.

Já o Brasil, embora opere sob cotas e barreiras tarifárias, mantém relevância no fornecimento de carne bovina por meio de empresas como JBS S.A., MBRF e Minerva,  além de outras unidades habilitadas para atender diretamente o mercado americano.

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