18/05/2026

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Dubai quer Trocar os Barris por Bytes e Transforma a IA em Seu Novo Petróleo


Dr. Marwan Al Zarouni, CEO de IA do Dubai Department of Economy and Tourism (DET)

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Quando se fala em inovação tecnológica, poucas cidades do mundo se movem com a velocidade e ambição de Dubai. O emirado, que já transformou o deserto em um dos centros urbanos mais dinâmicos do planeta, agora mira um novo território: a inteligência artificial (IA). À frente dessa revolução está Dr. Marwan Al Zarouni, CEO de IA do Dubai Department of Economy and Tourism (DET), uma das figuras mais influentes do ecossistema de tecnologia da cidade.

“A inteligência artificial será o principal habilitador dos nossos objetivos”, afirmou o executivo em entrevista no GITEX Global, evento de tecnologia que ocorre nesta semana e que reuniu uma comitiva vinda ao país a convite do Dubai Department of Economy & Tourism (DET).  Ele faz referência à meta de Dubai de incubar 30 unicórnios — startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão — e escalar mais de 400 empresas até 2033. Segundo ele, a IA não é apenas uma ferramenta de automação, mas um pilar estratégico da Dubai Economic Agenda (D33), plano que pretende dobrar o tamanho da economia da cidade até 2033.

Os números confirmam a ambição. De acordo com o Dubai State of AI Report, a inteligência artificial deve adicionar mais de AED 235 bilhões (cerca de US$ 64 bilhões) à economia do emirado até 2030. A estimativa é que a IA represente até 14% do PIB dos Emirados Árabes Unidos ao final da década — uma das maiores proporções do mundo.

“Dubai oferece abertura regulatória e transparência, o que atrai empresas de IA que estão frustradas com as regulações rígidas impostas por outros países”, diz Al Zarouni. O executivo, que também é CEO do Dubai Blockchain Center, participa ativamente de fóruns e comitês éticos sobre IA, ajudando a definir as diretrizes que regem o uso da tecnologia em larga escala.

A aposta não se resume a promessas. O governo de Dubai vem direcionando bilhões de dirhams em infraestrutura, pesquisa e parcerias público-privadas. Um dos eixos centrais é a criação de uma “economia de data centers impulsionada por IA”, com valor agregado estimado em mais de AED 14,3 bilhões até 2028. O projeto inclui desde sistemas avançados de processamento de dados até a formação de hubs para startups e desenvolvedores de modelos generativos.

Omar Sultan Al Olama, Ministro de Estado para Inteligência Artificial

Além disso, o DET lançou um pacote de soluções digitais com chatbots baseados em IA, plataformas de relacionamento com investidores e centros de atendimento automatizados, que prometem agilizar desde o licenciamento de empresas até o atendimento a turistas e empreendedores. Em parceria com a Avaya, o departamento também está automatizando fluxos de concessão de licenças e otimizando processos internos, em um movimento que combina eficiência administrativa e experiência digital aprimorada.

O setor privado acompanha o ritmo. O mercado de IA nos Emirados Árabes Unidos, avaliado em US$ 3,47 bilhões em 2024, deve atingir US$ 46,3 bilhões até o final da década. Um relatório da Future Advisory Forum prevê que o setor pode gerar AED 335 bilhões (US$ 91 bilhões) em crescimento adicional para a economia até 2031, impulsionado principalmente por investimentos estrangeiros diretos e startups locais focadas em IA aplicada a turismo, energia e finanças.

Esses esforços se conectam diretamente à visão de Sheikh Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum, príncipe herdeiro de Dubai, que estabeleceu a meta de tornar o emirado uma das dez principais cidades do mundo em inovação e IA. Dentro dessa agenda, a regulação ética e a capacitação de talentos aparecem como pilares fundamentais.

Os Emirados Árabes Unidos se destacam globalmente por sua ambição em inteligência artificial — tanto que o país possui, desde 2017, um Ministro de Estado para Inteligência Artificial, Omar Sultan Al Olama. Ele lidera a estratégia nacional de IA, coordenando iniciativas para transformar o governo e a economia digital, alinhadas à visão do país de se tornar referência global em inovação tecnológica.

Al Zarouni tem papel central nessa frente. Ele integra o Artificial Intelligence Ethical Committee, responsável por propor políticas que garantam o uso responsável da tecnologia. “A IA pode melhorar a qualidade de vida dos residentes e visitantes de Dubai e tornar os processos administrativos mais eficientes. Mas é preciso responsabilidade e governança”, destaca o executivo.

Com uma trajetória de mais de 20 anos em segurança da informação, forense digital e inovação, Al Zarouni acredita que Dubai vive um ponto de inflexão. “Estamos entrando em uma nova fase da economia digital. E a IA é a base que vai sustentar o próximo salto de produtividade, crescimento e competitividade global”, afirma.

Enquanto outras economias ainda debatem regulações e riscos, Dubai avança em um modelo que combina ambição, investimento e pragmatismo. A cidade aposta que, assim como fez com o turismo, o setor imobiliário e os serviços financeiros, poderá transformar a inteligência artificial em um dos pilares do seu sucesso econômico global.

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