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Acessibilidade
Imposição externa ou as nossas regras? Ao longo da história do Brasil, passamos por momentos em que a ciência do bem-estar animal e suas práticas foram adotadas por imposições internacionais, especialmente pelas relações comerciais.
O Brasil precisou rever legislações ou implantar práticas para manter seus acordos e garantir que as regras internacionais de bem-estar animal estavam sendo aplicadas no Brasil. Algumas delas não adequadas à nossa realidade. Era uma época também em que a ciência era pouco difundida e tínhamos poucos adeptos.
Nesse sentido, a notícia boa é a criação da ABBEA, a Associação Brasileira de Bem-Estar Animal, uma plataforma ampla, técnica e multissetorial dedicada ao tema no Brasil, de forma genuína.
Ela nasce considerando as nossas particularidades, mas também fortalecendo a cooperação bilateral no contexto do Acordo União Europeia-Mercosul, já que conta com referências do Brasil e da Alemanha. Outro ponto extremamente relevante é a união de representantes de muitas espécies e setores.
Como animais de produção, animais de companhia, animais silvestres, animais de laboratório, pessoas especializadas em desastres, legislação, comunicação, entre outros segmentos. Dessa diversidade, confiamos as muitas possibilidades que irão surgir, além de ações já definidas para 2026, como um plano de treinamento, campanhas de promoção do tema e um importante encontro no mês de maio.
Nós, brasileiros, conhecemos a nossa realidade e temos boas práticas dentro da porteira, preservando os cinco domínios dos animais, para que eles tenham uma vida que vale a pena ser vivida. Mas também acreditamos na importância da mobilização e de assumirmos o protagonismo para que a sociedade nacional e internacional conheçam as práticas realizadas no Brasil.
Porque, no fim das contas, quando cuidamos bem dos animais, estamos cuidando de nós mesmos, da saúde pública, da sustentabilidade, da reputação internacional do país e do futuro das pessoas que dependem disso tudo. Convido vocês a conhecerem a abeia por meio das redes sociais e a somarem a esse movimento tão bonito pelo bem-estar dos animais.
* Carmen Perez é pecuarista e entusiasta das práticas do bem-estar animal na produção animal. Há 14 anos, trabalha a pesquisa na fazenda Orvalho das Flores, no centro-oeste do Brasil, juntamente com o Grupo Etco, da Unesp de Jaboticabal e universidades internacionais. Foi presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA) em 2017/2018.
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