18/05/2026

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Estudo da CNA aponta que mais de 80% das estradas vicinais do país estão fora do padrão

Mais de 80% das estradas vicinais brasileiras estão fora dos padrões adequados de trafegabilidade, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (8) pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O estudo Panorama das Estradas Vicinais no Brasil, realizado em parceria com o Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Esalq/USP (Esalq-Log), indica que são necessários R$ 4,9 bilhões por ano para adequar 177 mil quilômetros de vias em regiões consideradas prioritárias.

Detalhes do estudo

A pesquisa identificou cerca de 2,2 milhões de quilômetros de vias rurais distribuídas em 557 microrregiões. Desse total, 367 mil quilômetros são classificados como estradas terciárias, enquanto 1,8 milhão de quilômetros (84,5%) são “não classificadas” — vias estreitas e sem pavimentação, onde só é possível a passagem de um veículo por vez.

Essas estradas têm papel essencial na logística do agronegócio. De acordo com o levantamento, aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas de produtos agropecuários, como grãos, frutas, madeira, leite e cana-de-açúcar, são transportadas por essas vias.

CNA: investimento é considerado ‘viável’

O documento apresenta ainda o Índice de Priorização das Estradas Vicinais (Ipev), ferramenta que avalia fatores sociais, econômicos, ambientais e de infraestrutura para indicar as regiões com maior necessidade de investimentos.

Em comunicado à imprensa, a assessora técnica da CNA, Elisangela Pereira Lopes, afirmou que o investimento de R$ 4,9 bilhões anuais é considerado viável em relação aos prejuízos registrados.

Segundo ela, o estudo aponta que as más condições das vias causam perdas operacionais estimadas em R$ 16,2 bilhões por ano. Com as melhorias, os custos poderiam ser reduzidos em R$ 6,4 bilhões anuais e as emissões de dióxido de carbono, em 1 milhão de toneladas.

“Com esse aporte, seria possível melhorar a qualidade de vida da população rural e garantir o escoamento de alimentos com mais segurança e eficiência”, destacou.

Estudo propõe maior articulação entre setores

A pesquisa incluiu visitas de campo a oito microrregiões dos estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Paraná.

Foram percorridos 1,2 mil quilômetros e ouvidas 150 pessoas, entre produtores e gestores públicos. Os principais problemas observados foram buracos, erosões, acúmulo de água, pontes precárias e falta de drenagem.

Entre as recomendações, o estudo propõe maior articulação entre os setores público e privado, criação de canais diretos de comunicação com os produtores e capacitação técnica voltada à manutenção das vias.

Também sugere a aprovação do Projeto de Lei 1146/2021, que institui a Política Nacional de Mobilidade Rural e Apoio à Produção, e a ampliação do Programa Nacional de Estradas Vicinais (Proner), do Ministério da Agricultura.

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