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Um jovem de 19 anos, nascido em Mumbai, na Índia, vem chamando a atenção do Vale do Silício. Dhravya Shah fundou a Supermemory, uma startup que se propõe a expandir a memória de longo prazo dos modelos de IA, já que eles frequentemente não conseguem manter o contexto por várias sessões.
Shah começou a desenvolver bots e aplicativos voltados para o consumidor alguns anos atrás, de acordo com um perfil publicado pelo site TechCrunch. Ele chegou a vender seu bot, que formatava tweets em screenshots visualmente atraentes, para a ferramenta de redes sociais Hypefury.
Na época, Shah se preparava para um exame de ingresso no IIT (Instituto Indiano de Tecnologia), mas com o dinheiro obtido na venda decidiu se mudar para os Estados Unidos e estudar na Arizona State University. Após a mudança, ele se desafiou a criar algo novo toda semana durante 40 semanas. Em uma dessas semanas, desenvolveu o Supermemory (inicialmente chamado Any Context) e publicou o projeto no GitHub. Naquele momento, a ferramenta permitia conversar com os bookmarks do Twitter.
A versão atual extrai “memórias” ou insights a partir de dados não estruturados, ajudando os aplicativos a entenderem melhor o contexto. Shah conseguiu um estágio na Cloudflare em 2024, onde trabalhou com IA e infraestrutura. Mais tarde, assumiu o cargo de líder de relações com desenvolvedores na empresa. Durante esse período, conselheiros, incluindo o CTO da Cloudflare, Dane Knecht, incentivaram-no a transformar o Supermemory em um produto.
Neste ano, ele decidiu se dedicar ao Supermemory em tempo integral.
O Supermemory, agora descrito como uma API universal de memória para aplicativos de IA, constrói uma base de conhecimento baseado nos dados processados e personaliza o contexto para cada usuário. Por exemplo, ele pode permitir consultas em entradas de meses atrás em aplicativos de escrita ou diário, ou buscas em aplicativos de e-mail. Como a solução aceita entradas multimodais, também poderia permitir que um editor de vídeo buscasse ativos relevantes em uma biblioteca para um determinado comando.
A startup afirma que pode processar qualquer tipo de dado, incluindo arquivos, documentos, chats, projetos, e-mails, PDFs e fluxos de dados de aplicativos. Seu chatbot e recurso de anotação permite adicionar memórias em texto, arquivos ou links, além de conectar-se a apps como Google Drive, OneDrive ou Notion. Há também uma extensão para Chrome que facilita adicionar notas de sites.
“Nossa principal força é extrair insights de qualquer tipo de dado não estruturado e fornecer mais contexto sobre os usuários aos aplicativos. Como trabalhamos com dados multimodais, nossa solução é adequada para todo tipo de aplicativo de IA, desde clientes de e-mail até editores de vídeo”, disse Shah.
O Supermemory recebeu financiamento seed de US$ 2,6 milhões, liderado por Susa Ventures, Browder Capital e SF1.vc. A rodada também inclui investidores individuais como Dane Knecht (Cloudflare), Jeff Dean (Google AI), Logan Kilpatrick (DeepMind), David Cramer (Sentry) e executivos da OpenAI, Meta e Google.
A empresa já possui diversos clientes, incluindo o assistente de desktop Cluely (apoiado por a16z), o editor de vídeo Montra, a ferramenta de busca Scira, o multi-MCP Rube da Composio e a startup de imóveis Rets. Além disso, está trabalhando com uma empresa de robótica para armazenar memórias visuais capturadas por robôs.
O Supermemory enfrenta concorrência significativa no setor de memória para IA. Startups como Letta (apoiada pela Felicis Ventures) e Mem0 (onde Shah trabalhou brevemente) estão criando camadas de memória para agentes. A própria investidora do Supermemory, Susa Ventures, investiu na Memories.ai junto com a Samsung, que consegue acessar milhares de horas de gravação para gerar insights. Shah afirma que, embora essas startups atendam a diferentes indústrias e casos de uso, o Supermemory se destaca por oferecer menor latência.