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A instabilidade financeira no agronegócio brasileiro atingiu um novo patamar no segundo trimestre de 2025. O indicador de Recuperação Judicial (RJ) Agro da Serasa Experian, a maior datatech do Brasil, mostrou que o setor registrou 565 solicitações da medida, um salto de 31,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, que somava 429 pedidos.
Esses números representam o acumulado de toda a cadeia, incluindo produtores rurais Pessoa Física (PF) e Pessoa Jurídica (PJ), além de empresas relacionadas ao agronegócio.

Apesar da alta geral, a grande surpresa está no perfil dos demandantes. Pela primeira vez desde o final de 2023, os Produtores Rurais que atuam como Pessoa Jurídica (PJ), tipicamente de maior porte e mais organizados, apresentaram a maioria dos pedidos.
“A surpresa foi o fato de Produtores que atuam como PJ… terem uma quantidade superior de RJs do que Produtores que atuam como PF. É a primeira vez que isso acontece desde o último trimestre de 2023,” explica Marcelo Pimenta, head de Agronegócio da Serasa Experian.
Inversão de liderança: o risco no grande produtor

A crise de capital atinge de forma mais intensa o segmento de Pessoa Jurídica, que somou 243 requisições de RJ no segundo trimestre de 2025, um aumento significativo frente aos 121 pedidos de 2024. A fragilidade se concentra em culturas de alta relevância econômica:

O Produtor Rural Pessoa Física, por sua vez, registrou 220 pedidos, com os grandes proprietários demonstrando maior apetite ao risco e liderando o volume (55 pedidos), seguidos pelos médios (43) e pequenos (39).
Um fator de atenção adicional é a forte representação de arrendatários e grupos econômicos ou familiares (83 pedidos) na busca pelo recurso.
O mapa da crise: concentração em Goiás e Mato Grosso

A distribuição geográfica dos pedidos de Recuperação Judicial revela uma concentração de risco em estados que são pilares da produção nacional. Goiás e Mato Grosso registraram o maior número de solicitações dentro da cadeia agro no segundo trimestre de 2025.
Essa concentração sinaliza que as dificuldades financeiras, possivelmente ligadas a frustrações de safra, preços de commodities ou altas taxas de juros, estão mais agudas justamente nos grandes centros de produção.
A situação nesses estados é um termômetro do risco sistêmico para as instituições financeiras e tradings que atuam na região.
Empresas no agro também aceleram RJs

O problema da insolvência não se limita à “porteira para dentro”. As empresas ligadas ao agronegócio também registraram o volume mais alto da série recente, com 102 solicitações de RJ no período.
- Setores mais atingidos: o segmento de processamento de agroderivados (óleo, farelo de soja, açúcar, etanol etc.) foi o que mais demandou a medida, com 32 pedidos. Na sequência, vieram a agroindústria da transformação primária (madeira, couro, beneficiamento de grãos), com 22, e o comércio atacadista de produtos agropecuários primários, com 18.
Essa aceleração de pedidos na agroindústria e no comércio atacadista reflete o efeito cascata das dificuldades do produtor rural, que se propaga pela cadeia logística e de processamento de insumos e commodities.
Tecnologia preditiva: a solução para equilibrar o risco de crédito

Diante do cenário de risco crescente, a Serasa Experian destaca a importância da tecnologia para o equilíbrio do mercado de crédito.
O Agro Score, uma solução desenvolvida especificamente para o agronegócio, permite antecipar potenciais riscos de inadimplência entre produtores rurais.
Através de modelos preditivos, a datatech demonstrou que é possível identificar perfis de fragilidade econômica até três anos antes do ingresso do protocolo de Recuperação Judicial.
“A adoção de análises aprofundadas na concessão de crédito contribui para evitar financiamentos a agentes em situação de fragilidade econômica, reduzindo a exposição ao risco e promovendo maior equilíbrio na saúde financeira do setor,” conclui Pimenta.