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A Raízen e a FEMSA anunciaram ao mercado nesta quinta-feira (4) o fim da joint venture Grupo Nós, criada em 2019. O desfecho, que não envolve pagamentos entre as partes, redistribui mais de 1.800 pontos de venda no Brasil e marca uma reorganização estratégica no segmento de conveniência e proximidade.
Pelo acordo, a Raízen ficará com 1.256 lojas Shell Select e Shell Café, que seguirão no modelo de franquias integradas à rede de postos Shell. Já a FEMSA assume 611 unidades da rede Oxxo, além do centro de distribuição localizado em Cajamar (SP). A companhia mexicana também absorverá as dívidas e os recursos de caixa ligados à operação.
Segundo comunicado, a decisão reflete a estratégia da Raízen de simplificar o portfólio e concentrar esforços na oferta integrada da marca Shell, buscando maior foco e agilidade na execução. A FEMSA, por sua vez, reforça a expansão da Oxxo no mercado brasileiro, apostando no crescimento do varejo de proximidade.
O Grupo Nós seguirá existindo de forma operacional, prestando serviços de suprimentos e logística para as lojas Shell Select e Shell Café, a partir do centro de distribuição transferido à empresa mexicana.
A conclusão da operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento de condições previstas em contrato.
Expansão
Em nota emitida pela FEMSA, José Antonio Fernandez Garza, CEO do braço de retail, afirma que o plano de expansão da rede continuará no Brasil, que, segundo diz, é um foco fundamental para os negócios da companhia mexicana no mercado local.
O comunicado cita ainda que a razão da empresa enxergar no mercado brasileiro uma oportunidade de crescimento significativa está relacionada ao grande mercado local e à fragmentação do varejo. A meta da companhia é a de construir um negócio lucrativo e escalável, com foco na expansão acelerada de lojas, adaptação ao consumidor local e aumento da eficiência operacional.
O fim da parceria com a Raízen no Brasil acontece em um momento em que a FEMSA registra encolhimento do desempenho de suas lojas nas Américas, a principal bandeira da divisão de proximidade na região. São mais de 21 mil, a maior parte delas, no México. Peru, Chile e Colômbia também possuem operações.
Os resultados do segundo trimestre deste ano indicam que a receita operacional diminuiu 2,8% ante o mesmo período do ano passado, embora a receita total dessa divisão tenha crescido 6,9%.
Segundo Carbajal, os resultados estão relacionados a um ambiente de consumo fraco e um clima adverso no México.
Moody’s
Em um relatório do início de julho deste ano sobre a Raízen, a Moody’s citou que o modelo de negócio de lojas de conveniência ainda tem uma penetração baixa em relação ao número de postos de combustíveis do grupo, o que abre um grande potencial para crescimento.
O documento menciona ainda a primeira emissão de debêntures da Rede Integrada de Lojas de Conveniência e Proximidade S.A. (o nome oficial do Grupo Nós), no valor de R$ 300 milhões. Isso, no entendimento da agência, reflete a qualidade de crédito da Raízen, que é a fiadora da dívida de forma irrevogável e irretratável.
Desenvestimento
O movimento da Raízen é apenas mais um da série de desenvestimentos recentes. Em agosto, ela anunciou um acordo para vender as usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, ambas localizadas na cidade de Rio Brilhante (MS), por R$1,54 bilhão.
De novembro do ano passado até agora, considerando a venda das duas usinas em Mato Grosso do Sul, a Raízen reduziu em cinco o número de unidades ativas, incluindo outras duas alienações e uma hibernação da Santa Elisa, ativo que teve sua cana de comercializada em julho.