19/05/2026

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Saberes e Sabores do Nordeste se Tornam Rotas de Agroturismo Sustentável

Renata_Silva

Projeto das rotas coloca à mostra o protagonismo feminino, como as marisqueiras

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Um projeto desenvolvido pela Embrapa Alimentos e Territórios, unidade localizada em Maceió (AL), e que conta com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), está mudando a dinâmica econômica e social de comunidades rurais do Semiárido nordestino. Ao transformar saberes e sabores tradicionais em experiências de turismo sustentável, a iniciativa estruturou seis rotas turísticas que unem cultura alimentar, inclusão produtiva e preservação ambiental

O programa, batizado de Paisagens Alimentares, atua em cinco territórios distribuídos entre Alagoas, Pernambuco e Sergipe. Mais de 500 pessoas participaram diretamente das atividades, enquanto o impacto indireto já alcança cerca de cinco mil moradores. O modelo parte da valorização da biodiversidade, da memória alimentar e das práticas agrícolas, integrando-as em experiências turísticas autênticas.

Os cálculos do projeto indicam que, com apenas 100 visitantes mensais por território e um gasto médio de R$ 200 por pessoa, cada comunidade poderia gerar até R$ 240 mil por ano em receitas. Isso significaria um impacto de R$ 1,44 milhão distribuído entre os seis municípios, com potencial de crescimento conforme as rotas ganhem visibilidade.

Cada roteiro turístico foi construído a partir da identidade cultural e culinária de cada território. Em São Cristóvão (SE), a rota “Cidade Mãe de Sergipe” mostra a miscigenação brasileira por meio do coco, da mandioca e do açúcar. Já em Indiaroba (SE), a rota “Delícias da Terra” dá protagonismo às marisqueiras e catadoras de mangaba, fruto símbolo do estado.

Em Alagoas, os visitantes podem conhecer a rota “Da Caatinga aos Cânions”, onde pratos à base de ingredientes nativos mostram a biodiversidade local, e a vivência em “Agricultura Familiar na Serra das Pias”, que aproxima os turistas das práticas agroecológicas. Em Pernambuco, a experiência “Riquezas ancestrais e do manguezal” mostra a cultura de marisqueiras e quilombolas em um ambiente que mistura terra, mar e histórias de resistência.

Mulheres e Jovens no Protagonismo

A participação feminina é um dos pilares do projeto. Associações de mulheres rurais organizaram trilhas, vivências e atividades gastronômicas, mostrando que o turismo pode ser também uma ferramenta de autonomia financeira. Um exemplo é a Trilha das Marisqueiras, em Sirinhaém (PE), estruturada por 35 mulheres da Associação das Marisqueiras de Sirinhaém. A atividade inclui passeios pelos manguezais, demonstração de práticas sustentáveis de coleta de mariscos e degustações de pratos típicos.

A iniciativa rendeu reconhecimento internacional: Sirinhaém conquistou o 3º lugar no Green Destinations Stories Awards, na categoria “Comunidades Prósperas”, durante a Feira Internacional de Turismo de Berlim 2025

Segundo a Embrapa, a metodologia do projeto foi construída com base em escuta ativa, oficinas, intercâmbios e planejamento coletivo, sempre conduzidos pela própria comunidade. Para garantir continuidade, foi criada a Rede Territórios Saberes e Sabores, que conecta os seis municípios envolvidos e fortalece a governança comunitária.

O modelo já inspira outras regiões. De acordo com o BID, o conceito de paisagens alimentares pode ser aplicado em diferentes territórios do Brasil e da América Latina, ampliando a inclusão socioprodutiva por meio da valorização cultural e gastronômica
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Além de gerar renda, as rotas turísticas abriram espaço para novos negócios. Agricultores de Alagoas, por exemplo, estão ampliando a produção de derivados da jabuticaba, como geleias, licores e fermentados, e já participam de feiras regionais. Comunidades quilombolas de Pernambuco acessaram editais de fomento e reforçaram sua infraestrutura turística.

A experiência mostra que alimentos carregam identidades e histórias que podem se transformar em ativos econômicos, desde que articulados com responsabilidade social e ambiental. O projeto está alinhado à estratégia da Embrapa Visão 2030, ao Plano Nacional de Turismo e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. *(Redação com Embrapa)

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