19/05/2026

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8 em Cada 10 Produtores da Argentina Escolhem o Dólar Como Moeda para Financiamentos

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Financiamento da safra vem sendo facilitado em dólar

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Há algo que está mudando no setor agroindustrial argentino, e parece ser um sinal destes tempos, independentemente da redução das retenções e dos preços internacionais dos grãos, que deixam muitas produções no limite da rentabilidade. E há dados que surpreendem pela magnitude e pelo potencial de crescimento que apresentam.

Nos primeiros seis meses do ano, 80% dos créditos tomados para financiar a safra agrícola foram feitos em dólares, em muitos casos a taxa zero e sem comissões. E espera-se que essa tendência continue até o final do ano. Há um ano, 79% dos créditos eram pactados em pesos e apenas 21% em moeda forte.

Parece estranho crédito sem juros nem comissões, mas realmente não há mágica. A chave está na Nera, o ecossistema aberto de inovação financeira para o agro que conecta produtores, fornecedores de insumos (sementes, fertilizantes, fitossanitários) e traders com entidades financeiras, em uma plataforma na qual os produtores podem se financiar ou pagar de forma digital a compra de um insumo, gado ou implementos agrícolas, e comparar as melhores alternativas antes de fechar o negócio, inclusive com um contrato forward, com preço a fixar.

Após mais de dois anos de seu lançamento, a Nera já facilitou o financiamento a mais de 6.600 produtores, superando nesse período os US$ 1,7 bilhão (R$ 9,35 bilhões) em concessão de créditos. Entre janeiro e junho deste ano foram adjudicados US$ 470 milhões (R$ 2,6 bilhões) espera-se alcançar US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) em todo 2025.

Sinergia chave

Hoje, a Nera é uma plataforma multibanco, que reúne e oferece linhas de quatro entidades financeiras privadas, Banco del Sol, Comafi, Galicia e Santander, para pagar online insumos, gado e implementos agrícolas a mais de 1.800 fornecedores.

“No primeiro semestre, oito de cada dez créditos foram em dólares, e um dado interessante é que para produtos em dólares não há taxa nem comissão, pela sinergia entre bancos e fornecedores de insumos”, afirmou Marcos Herbin, CEO da Nera, durante a apresentação do primeiro Informe Nera, com dados concretos que desenham o mapa do crédito ao agro.

No país há cerca de 250.000 explorações de cultivos extensivos, mas apenas 21.000 produtores tomaram créditos no sistema bancário, segundo dados do Banco Central da República Argentina.

A safra agrícola dos seis principais cultivos (soja, milho, trigo, cevada, sorgo e girassol) representou em 2023/24 cerca de US$ 15 bilhões (R$ 82,5 bilhões) de investimento, que em 75% se financia com capital de terceiros, de acordo com estimativas da Bolsa de Comércio de Rosário.

Um dado que mostra com clareza o momento que atravessa o campo é que em março de 2024 começaram a surgir linhas de crédito em dólares e, desde então, apesar da incerteza dos últimos meses sobre as retenções, o crédito em divisas nunca parou. De fato, a quantidade de créditos concedidos cresceu 140% no primeiro semestre do ano em relação ao mesmo período de 2024.

Na Nera sustentam que uma chave é a agilidade na concessão dos créditos, com garantias em grãos em contratos forward, “que normalmente demoravam uns 15 dias, e o produtor o tem em três dias”. Setenta por cento escolhe se financiar em prazos superiores a 12 meses, ou seja, pagar com a nova colheita.

Garantias em grãos

Mais de 330.000 toneladas de grãos já foram utilizadas como garantia para financiamento, o que equivale a cerca de 11.000 caminhões postos como garantia de crédito. Oitenta por cento dos contratos em grãos foram feitos com soja ou milho e, em sua grande maioria, oito de cada dez, com preços a fixar, o que mostra a flexibilidade e a confiança do sistema. “Ao dar a opção de comercializar mais tarde, o produtor pode ganhar entre 4% e 5% a mais no preço”, disse Herbin.

Nessa lógica, a Nera está impulsionando a utilização do “Crédito Grão Futuro”, um produto financeiro da agtech argentina, que permite ao produtor acessar um crédito garantido por meio da cessão ao banco de um contrato forward, comprometendo uma parte de sua produção de grãos a ser entregue ao comprador, que podem ser armazéns, cooperativas ou corretoras, em um prazo fixado.

Durante anos, grande parte do financiamento das safras agrícolas na Argentina esteve apoiado por linhas dos bancos públicos, como o caso do Banco Nación ou do Banco Provincia, mas a mudança de tendência em direção aos créditos em dólares, de certo modo, está inclinando agora a balança para os bancos privados, já que os públicos não podem emprestar em dólares.

“Desde a alta das taxas em pesos (no último mês) há mais demanda de créditos e taxas em dólares, muitas das quais são a taxa zero”, afirmou Herbin. E deu pistas do que está por vir nesse negócio, como os warrants digitais, por exemplo, para investir em gado, vacas leiteiras ou novilhos para confinamento.

É que a digitalização financeira abrange não apenas o setor agrícola, mas também a pecuária e as economias regionais, que movimentam menos volume que os grãos, mas também precisam financiar suas campanhas.

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