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A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) divulgou nota em apoio ao Plano Brasil Soberano, anunciado pelo governo federal como resposta à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para a entidade, trata-se de um conjunto de ações necessárias para enfrentar os efeitos imediatos da medida sobre o setor.
“A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) entende que se tratam de medidas importantes, no curtíssimo prazo, as quais darão um direcionamento para o segmento no enfrentamento da crise”, afirmou a associação no comunicado divulgado ontem (14).
Segundo a nota, “as medidas anunciadas permitirão, ainda no curto prazo, que o setor dos cafés especiais do Brasil ganhe um fôlego pontual, assim como o próprio governo federal, para manter suas negociações, alinhando posicionamentos internamente e reforçando a sinergia com as entidades pares do setor privado do café nos EUA, de forma que seja alcançada uma solução definitiva e positiva nessa relação bilateral sobre o café”.
A BSCA destacou que os Estados Unidos são o principal destino dos cafés especiais brasileiros, com importações anuais que superam 2 milhões de sacas e geram receita acima de US$ 550 milhões. No entendimento da associação, a melhor alternativa para reduzir o impacto do tarifaço seria a retirada do café da lista de produtos taxados.
“Ao tempo que reforçamos a importância das medidas apresentadas para que o setor ganhe fôlego e consiga, junto ao governo, manter as negociações para que encontre uma solução, através do diálogo, para o restabelecimento do fluxo de comércio em condições justas entre Brasil e EUA”, completou.
O Plano Brasil Soberano, criado para reduzir os impactos das tarifas norte-americanas sobre diversos setores exportadores, prevê linhas de crédito com juros menores, adiamento do pagamento de tributos federais por dois meses e a reativação do Reintegra, mecanismo que permite ressarcimento, como crédito tributário, de impostos pagos ao longo da cadeia produtiva.
O que é a BSCA e o que são os cafés especiais
Fundada em 1991 por 12 produtores, a BSCA reúne representantes de toda a cadeia de cafés especiais, atuando na promoção de padrões de qualidade, certificação com rastreabilidade, capacitação e participação em feiras internacionais. A entidade também organiza o Cup of Excellence no Brasil, em parceria com a ApexBrasil e a Alliance for Coffee Excellence.
Os cafés especiais, segundo a definição da BSCA, são grãos livres de impurezas e defeitos, que apresentam atributos sensoriais superiores e alcançam pontuação acima de 80 pontos na análise sensorial, com exigência de rastreabilidade e conformidade socioambiental. Essa avaliação segue o Coffee Value Assessment, protocolo da Specialty Coffee Association, adotado oficialmente no país por meio de acordo com a própria BSCA.
O Brasil produz cerca de 8 milhões de sacas de cafés especiais por safra, o equivalente a 18% a 20% da produção nacional, de acordo com estimativa da entidade. A Embrapa projeta que a safra 2025 alcance 51,8 milhões de sacas, o que mantém a participação do segmento entre 15% e 20%, a depender das condições de colheita.
No comércio exterior, os cafés especiais são contabilizados na categoria de “cafés diferenciados”, que inclui grãos de qualidade superior e certificados. Na safra 2024/25, esse grupo respondeu por 19,5% do volume exportado e 22,4% da receita cambial do café brasileiro.
Além dos Estados Unidos, que importaram exatas 1,744 milhão de sacas no último período, os principais destinos foram Alemanha (1,477 milhão de sacas), Bélgica (813 mil), Países Baixos (593 mil), Itália (510 mil), Japão (413 mil), Espanha (367 mil), Reino Unido (347 mil), Suécia (260 mil) e Finlândia (225 mil). Entre janeiro e julho deste ano, os cafés diferenciados representaram 23,7% da receita obtida com as exportações brasileiras de café.