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Após a assinatura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (30) do decreto executivo que oficializa a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, isentando alguns setores do agro e deixando o café fora, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), se pronunciou.
O Cecafé atua como porta‑voz dos exportadores brasileiros, representando cerca de 118 associados, responsáveis por 96% das exportações de grão verde do Brasil.
A nota é assinada por Márcio C. Ferreira, presidente do Conselho Deliberativo da entidade, e Marcos A. Matos, diretor geral. A entidade afirma que continuará dialogando com entidades norte-americanas para tentar reverter a inclusão do produto na lista tarifária.
Segundo o comunicado, o Cecafé seguirá em tratativas com a National Coffee Association (NCA), principal entidade do setor nos EUA, “com o intuito de que o produto passe a integrar a lista de exceções elaborada pelo governo americano”.
A nota destaca a interdependência entre os dois países no comércio cafeeiro. “Os cafés brasileiros representam uma fatia superior a 30% do mercado cafeeiro norte-americano, sendo o principal fornecedor ao país”, afirma o conselho. Em contrapartida, os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro, com 16% de participação nas exportações totais do produto.
Além do impacto no Brasil, o Cecafé ressalta que a medida pode prejudicar diretamente a economia norte-americana. “O café é de suma relevância aos Estados Unidos”, diz a entidade, citando dados da National Coffee Association: 76% da população consome a bebida, com um gasto anual de aproximadamente US$ 110 bilhões em café e itens relacionados – o equivalente a US$ 301 milhões por dia.
O setor, conforme o Cecafé, também tem peso expressivo na geração de empregos.
“A indústria cafeeira norte-americana sustenta mais de 2,2 milhões de empregos e gera mais de US$ 101 bilhões em salários, beneficiando todos os Estados e comunidades locais”, aponta a nota.
O estudo da Technomic, encomendado pela NCA em 2022, ainda mostra que “a cada US$ 1 que os EUA importam de café, são injetados outros US$ 43 na economia americana”. O setor movimenta, ao todo, US$ 343 bilhões ao ano, o que representa 1,2% do PIB do país.
Por isso, o Cecafé considera que a decisão do governo norte-americano precisa ser revista. “A taxação dos cafés do Brasil implicará elevação desmedida de preços e inflação, uma vez que esses tributos serão repassados à população americana no ato da compra.” A entidade conclui reiterando que seguirá trabalhando com os parceiros dos Estados Unidos para que o café seja incluído entre os produtos isentos da nova tarifação.