21/04/2026

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Como a Soja Sustenta o Agro e a Indústria

PRImageFactory/Getty Images

Cientistas brasileiros estão atualmente trabalhando na quinta geração da soja

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“Para o Brasil se manter como o maior produtor de soja do mundo, precisamos investir cada vez mais em biotecnologia”, diz Geraldo Berger, 64 anos, engenheiro agrônomo e vice-presidente de assuntos regulatórios (Regulatory Science) da Bayer para a América Latina. Berger, que acompanha com lupa os processos de aprovação de biotecnologias e insumos agropecuários, nesta semana era um dos cerca de 2 mil participantes do 10º Congresso Brasileiro de Soja, realizado pela Embrapa Soja, localizada em Londrina (PR), unidade que foi criada em 1975. O congresso que terminou nesta quinta-feira (24), em Campinas (SP), colocou como tema central os 100 anos da chegada da oleaginosa no país. “O Brasil só está nessa posição por causa da biotecnologia. Não tem como ser diferente daqui pra frente”, diz ele.

Posição, no caso, significa ser o maior exportador e produtor global da oleaginosa. O posto de maior exportador de soja do mundo veio em 2013, quando o Brasil ultrapassou os Estados Unidos. O de maior produtor veio em 2020, superando também os americanos pela primeira vez. No ano passado, o país vendeu 150 milhões de toneladas, com mais da metade destinada à exportação. Foram 98,8 milhões de toneladas por US 43,1 bilhões.

Mas e agora? Para onde vai a soja? É isso que o congresso tenta responder: qual o futuro de uma commodity que já está no topo. A soja é lembrada como o principal item de rações para alimentar rebanhos de suínos, aves e bovinas, mas o grão é utilizado como ingrediente direto ou indireto de cerca de 1.000 produtos industriais e alimentícios. Vai de óleos e farinhas até biodiesel, fármacos, cosméticos e plásticos biodegradáveis.

Julia Maciel

Geraldo Berger é vice-presidente de assuntos regulatórios (Regulatory Science) da Bayer para a América Latina

Produção e tecnologia de alimentos

Por isso, produzir de forma cada vez mais sustentável e inovadora permanece como um desafio sem hora para acabar. “Não seríamos o maior produtor e exportador de soja do mundo se não fossem as nossas bactérias de fixação de nitrogênio. Seria impagável produzir soja. Hoje, somos líderes graças a 70 anos de pesquisa”, disse Mariangela Hungria, 67 anos, que também estava presente no congresso. Ela foi uma das cientistas responsáveis por revolucionar o cultivo de soja no Brasil. Berger, que trabalhou com a pesquisadora entre 2005 e 2007, no monitoramento de sementes de soja, concorda: “Biotecnologia, melhoramento genético e manejo mais eficiente das culturas nos trouxeram até aqui”, afirma ele.

As técnicas de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) no solo, por meio do cultivo da soja, tiveram uma enorme contribuição de Mariângela, junto com nomes da ciência brasileira, como pesquisadores Johanna Döbereiner (Embrapa Agrobiologia), Avílio Antônio Franco e Alaídes Puppin Ruschel. Mariângela aprimorou e escalonou o uso de inoculantes, sendo responsável por cerca de 20 tecnologias com impacto econômico e ambiental expressivo.

Com as técnicas descobertas ou aprimoradas por eles, o Brasil economiza nos dias atuais pelo menos US$ 40 bilhões (R$ 216 bilhões na cotação atual), por ano, na compra de fertilizantes, e elevam a produtividade das lavouras. Não por acaso, entre os vários prêmios, neste ano chegou para ela o Prêmio World Food Prize (WFP), o “Nobel da Alimentação”, com homenagem marcada para outubro, nos Estados Unidos, pela sua contribuição para a qualidade, quantidade e disponibilidade de alimentos no mundo. Mariangela integra duas Listas Forbes, as 100 Mulheres Poderosas do Agro e a das 100 Mulheres Doutoras do Agro.

Soja na quinta geração

Os cientistas brasileiros estão atualmente trabalhando na quinta geração da soja, o que significa que na evolução agronômica, genética e tecnológica da cultura no país, o grão e seus estudos vêm protagonizando mais uma revolução. Na prática, a produção de soja envolve a combinação de tecnologias, como tolerância ao glifosato e resistência às lagartas, alta produtividade por hectare, integração com tecnologias de conectividade no campo e adoção de práticas sustentáveis, como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos.

Mariangela Hungria foi uma das cientistas responsáveis por revolucionar o cultivo de soja no Brasil

Para Mariangela, os bioinsumos são a chave para um futuro de alta produtividade e sustentabilidade, porque repetir o passado virtuoso da soja é bom, mas inovar é melhor ainda. “Na década de 1970 ninguém acreditava em biológicos. Hoje, seu uso varia de 10% a 15% em relação aos químicos. Mas podemos chegar a 60%. Cada vez mais eles serão utilizados nas safras”, disse Mariângela. “Hoje produzimos 3 mil quilos de soja por hectare, mas podemos chegar facilmente a 6 mil”.

Isso porque para chegar na produção atual de soja de 3.500 quilos por hectare, em 1970, um grupo de cientistas da Embrapa se debruçou no desenvolvimento cultivares adaptadas ao clima tropical e aos solos ácidos do Cerrado, especialmente em regiões como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de pesquisas de análises e melhoramento de sementes, controle de doenças e manejo integrado.

Berger enxerga um futuro para a soja que vai além. A preocupação com a segurança alimentar foi o grande impulso para os estudos de melhoramento da cultura. Hoje, sem deixar essa causa de lado, o cenário também é de oportunidades, como no caso dos biocombustíveis.

“A soja tem uma contribuição enorme a dar e podemos melhorar o óleo da soja, por meio da biotecnologia, para tornar um biodiesel mais eficiente”, afirma. A mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil no Brasil é de 14%, e vai aumentar para 15% a partir de 1º de agosto de 2025. O óleo de soja representa a maior parte da matéria-prima utilizada no biocombustível”, diz ele. “Com o melhoramento da qualidade do óleo da soja, a cultura não vai contribuir apenas para a segurança alimentar, mas também para a transição energética.”

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