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O governo brasileiro e o governo da Malásia concluíram negociação fitossanitária para que o Brasil exporte guaraná em pó para aquele país, anunciou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
O Brasil lidera a produção global de guaraná e é o principal exportador do insumo. A Malásia, com mais de 34 milhões de habitantes e uma indústria alimentícia em expansão, importou do Brasil mais de US$ 1,27 bilhão em produtos agropecuários em 2024, com destaque para o complexo sucroalcooleiro, fibras e produtos têxteis, cereais, farinhas, café e carnes. Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 395 aberturas de mercado desde o início de 2023.
O guaraná (Paullinia cupana) é uma planta nativa da Amazônia e parte essencial da cultura e da biodiversidade brasileira. Cultivado principalmente no estado do Amazonas, o município de Maués concentra a maior parte da produção nacional e é considerado o berço histórico da fruta, com forte presença de tradições indígenas e práticas agrícolas locais.
A produção brasileira de guaraná representa cerca de 95% da oferta mundial. Estima-se que o Brasil produza anualmente entre 3 mil e 4 mil toneladas de sementes secas, sendo o Amazonas responsável por cerca de 80% desse volume. Outras regiões produtoras incluem a Bahia, o Acre, o Pará e Rondônia, com destaque para cultivos tecnificados no sul baiano, que apresentam maior produtividade por hectare.
O guaraná é usado predominantemente pela indústria de bebidas, principalmente refrigerantes e energéticos. Também é matéria-prima para suplementos alimentares, cosméticos e produtos farmacêuticos, graças ao seu alto teor de cafeína, superior ao do café. Em algumas formulações, é utilizado como estimulante natural e auxiliar no desempenho físico e mental.
A colheita ocorre entre os meses de outubro e fevereiro. O processo é manual, fruto por fruto, o que reforça o papel da agricultura familiar na cadeia produtiva. Embora a produtividade média nacional seja baixa, iniciativas de pesquisa e melhoramento genético, conduzidas pela Embrapa, buscam ampliar os rendimentos, reduzir perdas por doenças como a antracnose e incentivar o cultivo em sistemas agroflorestais mais sustentáveis.
Além da importância econômica, o guaraná tem valor simbólico e cultural. Entre os povos indígenas Sateré-Mawé, por exemplo, ele é considerado sagrado e parte de um sistema de conhecimento ancestral que envolve cultivo, beneficiamento e uso medicinal.