21/04/2026

21/04/2026

Search
Close this search box.

Conheça a Cientista Que “Ressuscitou” Lobo Extinto Há Mais de 10 Mil Anos

10’000 Hours/Getty Images

Beth Shapiro é diretora científica da Colossal Biosciences, empresa que lidera os esforços da “desextinção” de espécies

Acessibilidade








Beth Shapiro é uma potência na ciência genômica. Já dirigiu seu próprio laboratório na Universidade da Califórnia, escreveu livros aclamados pela crítica e ocupou o prestigiado cargo de pesquisadora do HHMI (Howard Hughes Medical Institute).

Agora, como diretora científica da Colossal Biosciences — uma empresa que lidera esforços de “desextinção” —, Shapiro lidera uma equipe majoritariamente feminina para redefinir o futuro da conservação e da genômica.

Seu time é uma exceção no setor. As mulheres representam 43,1% dos cientistas nos Estados Unidos, mas apenas 34% do total nas áreas mais amplas de STEM (sigla em inglês para áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática), segundo um levantamento da National Science Foundation, agência do governo dos EUA que financia pesquisas científicas e avanços tecnológicos. Dentro dessas indústrias, muitas enfrentaram assédio sexual ou críticas indevidas ao longo de suas carreiras — especialmente quando seu trabalho passa a ganhar atenção pública.

Por dentro da Colossal Biosciences

Fundada em 2021 pelo bilionário Ben Lamm e pelo renomado geneticista George Church, a Colossal Biosciences tem o objetivo de recriar espécies emblemáticas que já desapareceram, como o mamute-lanoso e o tigre-da-tasmânia, utilizando ferramentas avançadas de edição genética. Seu trabalho inclui tecnologias como o CRISPR e a manipulação de DNA antigo, em colaboração com cientistas, instituições de pesquisa e universidades ao redor do mundo.

A missão da Colossal vai além de simplesmente “ressuscitar” espécies extintas. A empresa defende que esses projetos podem ajudar a restaurar ecossistemas que foram severamente impactados pela extinção dessas espécies. Por exemplo, o retorno do mamute-lanoso ao Ártico poderia contribuir para estabilizar os permafrosts, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, a Colossal argumenta que seus avanços na edição genética podem abrir caminho para melhorias na saúde humana e na preservação de outras espécies em risco de extinção.

Como Beth Shapiro fez história ao trazer uma espécie extinta de volta à vida

Embora deixar a Academia não tenha sido uma decisão fácil para Shapiro, a cientista passou a trabalhar em alguns dos maiores projetos da sua carreira. No ano passado, entrou para a história ao trazer de volta o lobo terrível (dire wolf, em inglês), extinto há 13 mil anos. Em 1º de outubro de 2024, nasceram os dois primeiros filhotes, Romulus e Remus; em 31 de janeiro de 2025, um terceiro filhote, chamado Khaleesi, veio ao mundo.

“O que a conservação precisa são ideias e ações ousadas. Essa conquista demonstra que os seres humanos são capazes de ambas. Podemos usar biotecnologias para acelerar os processos de seleção e adaptação”, disse em um comunicado publicado no site da Colossal.

“Com o nascimento bem-sucedido do lobo terrível, estamos um passo mais perto de um mundo em que essas ferramentas estejam entre os recursos disponíveis para ajudar as espécies a prosperarem em seus habitats em rápida transformação.”
Beth Shapiro

A cientista enfrentou críticas pelo projeto, a maioria delas de homens menos qualificados que ela na área de STEM. No entanto, Shapiro está mais preocupada com a próxima geração. “Recebemos cartas de crianças inspiradas pelo nosso trabalho — nossa ciência, nossos esforços de conservação e nosso compromisso com a melhoria do planeta”, explicou em uma entrevista. “Me preocupo que elas percam a esperança ao verem como as mulheres na ciência são frequentemente tratadas.”

Isso não é apenas sobre ela, mas sobre a cultura de desvalorizar mulheres em áreas onde elas já são sub-representadas. Os riscos são altos; não apenas para as cientistas, mas para o próprio futuro da inovação.

Como apoiar e impulsionar mulheres em STEM

1. Olhe além das manchetes

Nem todos os cientistas são iguais. Antes de aceitar uma crítica, investigue melhor as credenciais de quem está criticando. As conquistas dessas pessoas chegam perto das daquelas que estão tentando desmerecer?

2. Denuncie a desigualdade

Quando perceber que o trabalho de uma mulher está sendo injustamente diminuído, manifeste-se. Quanto mais normalizarmos o respeito e a equidade, melhor será a cultura.

3. Apoie meninas e mulheres

Apoie programas que incentivam jovens mulheres a seguir carreiras em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Doe, seja mentor ou simplesmente compartilhe recursos que reforcem sua importância.

4. Questione o status quo

Questione por que as mulheres enfrentam uma cobrança desproporcional. É inveja, insegurança ou preconceitos ultrapassados? Às vezes, o problema não está na ciência.

5. Celebre as conquistas das mulheres

Compartilhe seus sucessos, amplifique suas vozes e garanta que suas histórias cheguem ao público que merecem.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

“A IA Vai Mudar a Forma Como Consumimos Soluções no Agro”, Diz André Piza, da Syngenta

A transformação digital no agronegócio global passou a ocupar um novo lugar dentro da Syngenta.…

Importação Chinesa de Soja dos Eua Cai 70% no Primeiro Trimestre

As importações chinesas de soja dos Estados Unidos aumentaram em março em relação aos dois…

China Projeta Queda de 6,1% na Importação de Soja em 2026

A China deverá importar menos soja, carne suína, carne bovina e produtos lácteos em 2026,…