21/04/2026

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A História Centenária da Vinícola Collavini e Seus Rótulos Icônicos

MassanPH/Getty Images

A vinícola Collavini está localizada rna egião de Friuli, no nordeste da Itália

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A família Collavini considera os vinhos brancos Collio Bianco Broy, pertencente à denominação Collio, uma expressão da “alma” da vinícola. O nome Broy remonta às origens agrícolas da família. A inspiração veio do termo italiano broili, utilizado na região de Friuli, no nordeste da Itália, bem na fronteira com a Áustria e a Eslovênia, para descrever pequenos terrenos que serviam como hortas atrás das casas, onde também se cultivavam vinhas destinadas ao consumo doméstico de vinho. Grandes arbustos costumavam circundar os broili para proteger as videiras dos animais.

A vinícola Collavini, pertencente à família, hoje na quarta geração, foi fundada em 1896 em Ravignano, na província de Udine, em Friuli. Seu patriarca, Eugenio, começou fornecendo algumas centenas de litros de vinho para pequenas lojas e nobres que residiam na região.

Gerações de Inovação Collavini

“Se algo realmente define o cenário vitivinícola de Friuli, é um espírito incansável de inovação, uma postura destemida frente à experimentação e uma diversidade harmoniosa de estilos”, escreve Joe Campanale, especialista em vinhos, no livro Vino: The Essential Guide to Real Italian Wine (Vino: O Guia Essencial Para o Real Vinho Italiano, em tradução literal).

Isso certamente está alinhado ao perfil da vinícola Collavini, que atualmente produz 1,5 milhão de garrafas e as exporta para 38 países, preservando as tradições enológicas e as variedades de uvas autóctones da região. O filho de Eugenio, Giovanni, conduziu a vinícola durante os desafios da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.

No período pós-Segunda Guerra, o filho de Giovanni, Manlio, transferiu a empresa para os terroirs mais adequados em Corno di Rosazzo, também em Udine. Ali, ele elevou não apenas sua vinícola, mas também todo o setor, ao aplicar a ciência moderna da enologia ao cultivo das uvas.

Em 1971, Manlio combinou uvas pinot grigio e chardonnay para criar o primeiro vinho branco espumante da região de Friuli. Depois, ele lançou a Ribolla Gialla, outro espumante elaborado com a uva de mesmo nome. Utilizando um método novo, que passou a ser chamado de Método Collavini, uma combinação dos métodos Charmat e Clássico, a Ribolla Gialla tornou-se uma das exportações de vinho mais populares da Itália.

Num outro rompimento com as convenções, a família Collavini passou a engarrafar o pinot grigio em garrafas transparentes do tipo bordeaux, com o objetivo de destacar sua cor palha e conferir elegância à apresentação. Manlio desenvolveu um mercado internacional para seus vinhos ao vendê-los para friulanos que emigraram da Itália para Argentina e Canadá em busca de melhores oportunidades econômicas.

Luca Piccini Basile/Getty Images

A vinícola Manlio combinou uvas pinot grigio e chardonnay e criou a variedade Ribolla Gialla

A quarta geração da família Collavini, formada por Giovanni e Luigi, atualmente trabalha em estreita colaboração com o pai, Manlio, hoje com 88 anos e apelidado de “O Lorde da Ribolla Gialla.”

O Nascimento e o Aperfeiçoamento do Collio Bianco Broy

A região vinícola de Friuli é reconhecida por seus vinhos brancos, elaborados tanto a partir de variedades autóctones quanto internacionais. O estilo de vida friulano “gira em torno de uma taça, com esse DNA entrelaçado à cultura e às tradições desde a época romana”, diz Luigi.

Lançado em 2003, o Collio Bianco Broy é um corte de uvas friulano (40%), chardonnay (40%) e sauvignon (20%). A vinícola criou esse cuvée para competir com os vinhos brancos mais importantes da Itália.

O nome tem origem no termo italiano collio, que significa encostas, e se refere à faixa de colinas na fronteira com a Eslovênia, onde a maior parte das uvas Collavini são cultivadas, no interior da costa do Mar Adriático ao sul e dos Alpes ao norte. A variedade de castas produzidas ali impressiona pela riqueza e persistência.

“A complexidade de dois climas distintos, com ventos frios vindos do norte e quentes do sul, confere uma complexidade única aos vinhos”, explica Luigi. “O processo de vinificação inclui a secagem parcial das uvas e o envelhecimento sobre borras finas, técnica que acrescenta ao perfil sensorial marcante.”

Uma degustação vertical do Collio Bianco Broy oferece a oportunidade de acompanhar a evolução do vinho ao longo do tempo. Entre 2003 e 2008, ele era fermentado em barricas e aço inoxidável, resultando em um vinho encorpado e intenso.

Embora fosse bastante apreciado, Manlio estava decidido a tornar seu Broy mais territorial. Em 2009, a Collavini deixou de usar barricas, criando um vinho mais puro e enfatizando os elementos naturais em detrimento da intervenção do enólogo. Ele também alterou o corte para 50% Friulano, 30% Chardonnay e 20% Sauvignon.

Na mais recente inovação, a vinícola reintroduziu barricas de carvalho de Beaune, produzidas na Borgonha, para agregar riqueza e elegância ao vinho, mas tomando cuidado para não deixar um gosto amadeirado.

Enoturismo em Friuli

A vinícola Collavini tem sede na pequena vila de Corno di Rosazzo, às margens do rio Corno. A região ao redor conta com colinas suaves, igrejas históricas, vilas e, especialmente, a Abadia de Rosazzo, do século 10. Esse local foi onde monges beneditinos cultivaram pela primeira vez a Ribolla Gialla. Os visitantes também encontram tesouros culturais e históricos nas cidades próximas, Udine, a cerca de meia hora, e Trieste, a aproximadamente uma hora).

Algumas pequenas cidades convidativas nas proximidades incluem Cividale del Friuli, Aquileia e Grado. Cividale del Friuli é famosa pelo Templo Lombardo decorado com afrescos e pelo Mosteiro de Santa Maria in Valle (tombado como Patrimônio Mundial em 2011), além da lendária Ponte do Diabo sobre o rio Natisone.

Aquileia, uma das maiores e mais ricas cidades do início do Império Romano, foi um importante centro comercial. A área é inscrita na Lista do Patrimônio Mundial por sua Basílica e seus vestígios arqueológicos.

Holger Leue/Getty Images

A região vinícola de Friuli é reconhecida por seus vinhos brancos

Grado é uma pequena cidade medieval à beira do Mar Adriático Norte. Com vista para uma lagoa, atrai muitos turistas para suas praias.
Os visitantes podem deixar o carro e caminhar ou pedalar pelo trajeto Vigne Alte, com 2,9 quilômetros de extensão, que serpenteia por colinas suaves, pontuadas por vinhedos coloridos que mudam com as estações.

Hospitalidade Friulana na Vinícola Collavini

A vinícola está instalada em uma antiga casa senhorial do século 16 restaurada, oferecendo vistas de cartão-postal dos vinhedos em declive. Com reserva antecipada, os apreciadores de vinho podem provar os espumantes da casa (incluindo o Ribolla Gialla Brut), vinhos brancos como o Broy Collio Bianco, o T-Friulano e o Pinot Grigio, além dos tintos, como o Schioppettino e o Refosco.

O restaurante no local permite aos visitantes combinar esses vinhos com pratos tradicionais da região. O chef Sasa Klancic e sua equipe recebem os clientes na Osteria della Ribolla, oferecendo um tajut, termo friulano para uma taça de vinho. O cardápio sazonal inclui especialidades friulanas de origem eslovena e habsburga.

Um Recanto de Autenticidade

Localizada no extremo nordeste da Itália, a melhor forma de chegar à região vinícola de Friuli é voar para os aeroportos internacionais de Veneza (cerca de uma hora e meia de distância) ou Milão (4 horas de distância) e, em seguida, alugar um carro para explorar as sub-regiões.

Embora não seja de fácil acesso, os benefícios do enoturismo em Friuli incluem a visita a uma área da Itália ainda autêntica e relativamente intocada pelo turismo de massa devido à localização.

Ali, é possível degustar e conhecer vinhos únicos da região, encontrar vinicultores históricos como a Collavini e descobrir a culinária e as tradições culturais de uma área moldada, em parte, por suas fronteiras com a Eslovênia e a Áustria.

* Irene S. Levine é colaboradora da Forbes EUA, onde escreve sobre viagens e estilo de vida.

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