O título pode ajudar na abertura de novos mercados internacionais para a carne brasileira, de acordo com associações do setor.
O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como livre de febre aftosa sem vacinação pela primeira vez, nesta quinta-feira (29).

O Brasil deu um passo histórico na área da sanidade animal e na valorização de suas exportações. Nesta semana, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação em alguns estados, um avanço que deve impulsionar ainda mais a presença da carne bovina, suína e de frango brasileira no mercado internacional.
A certificação foi concedida durante a 91ª Sessão Geral da OMSA, realizada em Paris, na França, e abrange inicialmente os estados do Acre, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e partes do Amazonas e Mato Grosso. Nessas regiões, os rebanhos já não recebem a vacina contra a febre aftosa há mais de um ano, sem registro de novos casos da doença, o que demonstra a eficácia dos sistemas de vigilância sanitária e controle adotados pelo país.
Impacto na economia e no comércio internacional
Com o novo status sanitário, o Brasil poderá acessar mercados considerados mais exigentes em relação à qualidade e à sanidade dos produtos de origem animal, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos — que até então impunham barreiras à carne de países que ainda vacinavam seus rebanhos contra a aftosa.
A expectativa é que o reconhecimento gere aumento nas exportações e agregue valor aos produtos brasileiros. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a medida poderá representar um acréscimo de até US$ 1 bilhão por ano na balança comercial do agronegócio.
Um marco para o setor agropecuário
Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o reconhecimento é um marco para o país. “O Brasil demonstra ao mundo sua capacidade técnica, seu compromisso com a saúde animal e a segurança alimentar global. Esse avanço é resultado de décadas de trabalho conjunto entre produtores, veterinários, órgãos estaduais e o governo federal”, afirmou.
Próximos passos
Apesar da conquista, o Brasil ainda mantém a vacinação contra a febre aftosa em parte do território nacional, e o desafio agora é expandir gradualmente o status de livre da doença sem vacinação para todo o país. O Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA) prevê essa transição até 2026, sempre com base em critérios técnicos e de biossegurança.
Além disso, autoridades sanitárias reforçam que a vigilância continuará rigorosa, com monitoramento constante, barreiras sanitárias e campanhas educativas para evitar qualquer risco de reintrodução do vírus.