19/05/2026

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Código Florestal e Regularização Fundiária: o desafio do equilíbrio entre produção e preservação

 

O Brasil vive um momento crucial para o futuro do campo e da conservação ambiental. O avanço das pautas ligadas ao Código Florestal e à regularização fundiária voltou ao centro do debate político em Brasília. De um lado, produtores rurais exigem mais agilidade e segurança jurídica para trabalhar. De outro, ambientalistas cobram mais fiscalização e critérios rigorosos para o uso da terra.

   O Código Florestal: uma lei em busca de aplicação plena

Aprovado em 2012, o Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012) estabeleceu regras claras sobre o uso da terra, como a obrigatoriedade de manter as Reservas Legais e as Áreas de Preservação Permanente (APPs). A lei também criou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA).

Apesar disso, mais de uma década depois, a implementação plena da legislação ainda está longe de ser realidade.

  • Segundo o Ministério do Meio Ambiente, apenas 37% das propriedades inscritas no CAR foram analisadas.

  • O PRA, essencial para que o produtor regularize passivos ambientais, ainda avança lentamente na maioria dos estados.

“Sem a validação do CAR e a adesão ao PRA, o produtor fica em um limbo. Ele quer se regularizar, mas o processo é burocrático e lento”, afirma Luís Farias, consultor em direito ambiental e rural.

  Regularização fundiária: entrave para o desenvolvimento sustentável

Outro gargalo grave é a falta de regularização fundiária em milhões de hectares pelo país, especialmente na Amazônia Legal.

Estima-se que mais de 60% das áreas desmatadas ilegalmente estejam em terras sem titularidade clara. Esse vácuo de propriedade favorece conflitos e impede a implementação de políticas públicas eficazes.

O governo federal prometeu destravar o processo por meio da plataforma SIGEF (Sistema de Gestão Fundiária) e novos convênios com estados. A meta, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, é titular 500 mil hectares até o final de 2025.

  Pressão do agro e o papel do Congresso

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobra a simplificação do processo de análise do CAR, prazos definidos e mais autonomia aos estados na implementação do PRA.

“A regularização ambiental não pode ser um castigo ao produtor. A maioria quer fazer o certo, mas precisa de apoio e segurança jurídica”, disse a deputada federal Carla Morais (PL-MT) em audiência recente.

Ao mesmo tempo, ambientalistas alertam para o risco de flexibilizações indevidas. “Regularizar não pode significar anistiar quem desmatou fora da lei. É preciso rigor técnico e transparência”, defende Rafael Costa, diretor da ONG Observatório do Clima.

 Caminhos possíveis: tecnologia, cooperação e incentivo

Especialistas apontam três pilares para destravar a questão:

  1. Digitalização e integração dos sistemas (CAR, SIGEF, PRA);

  2. Capacitação dos órgãos estaduais ambientais e fundiários;

  3. Incentivos econômicos para quem recupera áreas degradadas e mantém floresta em pé — como os créditos de carbono e o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

    Conclusão

    O avanço da regularização ambiental e fundiária é uma peça-chave para o futuro do agronegócio brasileiro. Equilibrar produção e preservação não é só um desafio técnico — é também uma escolha política. Sem segurança jurídica e clareza nas regras, o Brasil pode perder competitividade e reputação internacional.

    Agora, resta saber se o país conseguirá transformar boas leis em ações concretas no chão da fazenda.

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